sábado, 10 de março de 2012

Porque Hoje e Sábado

"E depois começou toda esta zorra"
Eu cria (e queria, também) que a idade nos fazia mais sensatos...

sexta-feira, 9 de março de 2012

Paisagem e Destino

Se eu morasse em frente ao mar teria todos os dias vontade de partir.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Gratidão

Gota de água

Eu, quando choro,
não choro eu.
Chora aquilo que nos homens
em todo tempo sofreu.
As lágrimas são as minhas
mas o choro não é meu.

António Gedeão

Dia da Mulher

"Ele esperava-a à porta do emprego.
Entrou no carro e subiu-lhe logo pelas narinas o perfume forte e fresco que ele colocara certamente há pouco tempo. Olhou-o um bocado irritada. Estava cansada e apetecia-lhe embirrar com alguém...(Não teve a consciência disso, mas era a verdade).
Ele inclinou-se para o seu lado. Beijou-a ternurentamente e disse: Feliz Dia da Mulher, meu amor!
- Oh, pá! Estou farta disso! Hoje lá na secretaria vinham todos com falas mansas e alguns até com flores «Feliz Dia da Mulher! Feliz Dia da Mulher!» Que parvoíce! A eles não podia dizer nada. E cara alegre que é serviço...Agora a ti. Bolas! Francamente! Eu não quero um dia da mulher! - rematou olhando-o de forma desafiante.
- E parabéns para ti, que tens direito de dizer o que queres e o que não queres. E de ser ouvida. E de ser bruta e malcriada também. Mas antes de ti houve muitas que por menos do que isso foram espancadas ou mortas. Não achas que deves festejar o direito de ser extremamente indelicada comigo e não sofreres as consequências? - ele despejou tudo isto com um ar limpo e fleumático.
Ele teve a sensação de que ele ensaiara o discurso. Talvez ela fosse mesmo bruta e indelicada. Agora sentia-se envergonhada. Mas não ia pedir desculpas...Não! Ela não!
Ele olhava-a insistentemente e o seu olhar começava a doer. Ela sabia que ele adivinhava a sua luta interna. Não sabia bem como sair daquela situação.
Por fim, com um suspiro entre a irritação e o alívio, atirou: Eu pago o jantar!
E apressou-se a dizer - Sim, sim, e que sorte a minha de ter ordenado para pagar o jantar, porque muitas houve que, mesmo tendo ordenado, não dispunham dele. Deixo-te fazer um brinde à memória de todas elas, mas não me vais dar mais uma aula de História.
Ele sorriu, pôs o carro a trabalhar e mentalmente foi antecipando a forma como comemoraria pela noite fora aquele amor tão difícil."

domingo, 4 de março de 2012

Trocando os tempos

Gosto muito de brincar com os tempos e os ritmos. Gosto de fazer as coisas fora de tempo ou comportar-me ao contrário do tempo.
Por exemplo, gosto de estar de férias quando os outros estão a trabalhar...mas também gosto de trabalhar quando os outros estão de férias; gosto de trabalhar aos fins de semana e tirar uma tarde de semana para ver o mar, ir ao cabeleireiro ou ao supermercado; não fazer compras ao sábado, não ir à missa ao domingo; enviar as fotos das férias de Verão durante o Inverno aos amigos e divulgar fotos de gorro, luvas e lareira em pleno Verão, etc.
Este fim de semana trocaram-me as voltas aos planos que tinha feito. A casa familiar onde planeara passar o fim de semana estava infestada de vírus da gripe e a prudência e os avisos dos engripados, devolveram-me ao sossego e segurança do lar.
Ontem acabou por ser dia de iniciativas culturais e de amigos, intervalados com algumas arrumações. Hoje a continuidade das arrumações e o tempo cinzento exigiam medidas de sofá. Uma consulta rápida às gravações feitas na 'box' da Cabo mostraram-me que entre vários filmes e séries, estava o filme 2012, que dera na alturas do Natal, época em que não me apetecera enfrentar as profecias fatalistas dos Maias reintrepretadas pelos cidadãos americanos atuais.
Foi hoje, dois meses que o ano já tem. Afinal a profecia aponta para 21 de Dezembro de 2012, mas, como não podia deixar de ser, os americanos salvam o mundo e tudo recomeça depois de uma nova versão do Dilúvio, com arcas e escolhas de espécies para o recomeço. Grande Nação aquela! Quando vejo filmes destes sempre me recordo do filme de animação de Spielberg, "Fievel, um conto americano", em que o mito é tão grande que até os ratos dos navios dos emigrantes (também eles emigrantes, claro) estão convencidos da perfeição do novo mundo, onde...não há gatos! Grande indústria cinematográfica e grande ego coletico, de facto.
Tem a sua graça, nos intervalos do filme, ver os anúncios de Natal.
E agora à noite, já que era para continuar no sossego anticontexto atual nacional, descobri também gravado o Concerto de Ano Novo, da Áustria, claro, comentado pelo Eládio Clímaco, claro.
E que graça terá ele, daqui a pouco, terminar o programa desejando-me Feliz Ano Novo. No dia 4 de Março de 2012!
Fintas que se podem fazer agora ao tempo.
Mas amanhã não há safa: é 2ª feira, de Março, a começar a contagem decrescente para o final do 2º período, com os seus correspondentes testes, classificações e burocracias inerentes ao processo.
E saio eu diretamente do Danúbio Azul...Até me pode fazer mal!   

quinta-feira, 1 de março de 2012

Há tempos

e tempos.
E há que tempos que eu não vinha aqui!
O que merece um texto próprio; ou apropriado. Não meu, mas de quem sobre o tempo escreve.

"Há diferentes formas de entender o tempo enquanto realidade. Nas culturas orientais vêem-no como uma circularidade, uma ciclicidade. Por este lado do mundo pensa-se o tempo como sendo algo linear, recto.
Sabemos que o tempo nos antecede e compreendemos relativamente bem que não acaba quando nóes deixarmos esta vida. Mas a morte aparece como uma certeza de grau diferente, que interpela o íntimo e obriga a viver de forma completamente distinta, como se se tratasse da regra mais importante do jogo.
Ao contrário da nossa existência antes do nascimento, que para ninguém parece ter o mínimo interesse, o que se passará connosco depois da morte já deixa quase o mundo inteiro preocupado."
José Luis Nunes Martins, Nos tempos da morte, Jornal I Fim de Semana, 25 e 26 de Fevereiro de 2012

E a forma de encararmos o tempo depois do tempo de vida talvez seja a característica que mais nos distingue uns dos outros, em termos de cultura coletiva e de comportamentos individuais. Viver em função de continuar a vida depois da morte, ou viver acreditando nas razões biológicas de que só há uma vida?
Será que só se vive uma vez?
Será que se acredita na mesma coisa sobre este assunto durante a vida toda ou, à medida que o tempo avança, a nossa percepção do tempo e do seu carácter único pode modificar-se?

Alguém poderia argumentar: "São coisas que só o tempo pode responder." Mas será que o tempo dá respostas? Ou só cria mais perguntas?
O tempo o dirá! Dirá?