Por circuntâncias várias não dispunha do meu poiso habitual para os fins de semana em Lisboa. Como fazer? A fugaz presença dos amigos de além-mar não me deixava alternativa senão este fim de semana para estar na capital. O Inatel de Oeiras costuma ser a solução em casos destes, mas uma pesquisa na Internet levou-me a concluir que, sendo marcado de forma virtual, o alojamento em Lisboa pode ficar bem acessível. Vá de hotel. No centro de Lisboa.
E o gozo de ficar como turista na cidade que conheço desde sempre!
Entre o frio siberiano e a crise achei a cidade meia desertificada, mas esplendorosa, com um azul frio e dourado que parece desafiar a crise, como os anúncios dos cremes anti-rugas parecem desafiar o tempo e a idade...o envelhecimento, a decrepitude, a recusa da esperança.
Lisboa estava uma lição de resistência e altivez.
Do jardim do Museu Nacional de Arte Antiga, o Tejo apresentava-se insuperável. O almoço na LXFactory enchera-nos o estômago e a alma com a concilição do velho e do novo, da recuperação e da criação, da venda das velharias com as criações de autor.
O fim do segundo dia encontrou o bilhete do expresso numa das bolsas da mala. As despedidas, um "até à próxima, num dos nossos lados do Atlântico". As saudades antecipadas...as costumeiras conversas com o problema das férias ao contrário para fazermos uma viagem juntos. A recordação dos nossos encontros - e são já tantos! Braga, Rio de Janeiro, Mértola, Santos...E sempre Lisboa e sempre São Paulo.
Os elogios a Lisboa marcaram o fim de semana. O esplendor de Lisboa iluminou as nossas amizades e as promessas de próximos encontros.
Regressei com a sensação de ter sido turista em Lisboa, verdadeiramente, pela primeira vez na vida.
E que bem que Lisboa recebe os turistas! Hei-de lá voltar!
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
domingo, 5 de fevereiro de 2012
sábado, 4 de fevereiro de 2012
O que valorizamos
"Dão-me os parabéns todos os anos no meu aniversário, do qual não tenho culpa nenhuma, mas esquecem-se de valorizar o que faço bem.
(...)
Há os que me perguntam repetidamente quando caso e se esqueceram de me dar os parabéns quando terminei o doutoramento.
Talvez o episódio mais chocante tenha sido aquela amiga a quem comuniquei em voz baixa (entre a discrição e a emoção) que tinha terminado o doutoramento e que suspirou de alívio e, após uma pequena pausa inquiriu de forma afirmativa: Agora já te podes casar?!
(...)
Na realidade nós devíamos ser cumprimentado por aquilo que fazemos, pelos caminhos que escolhemos trilhar, por aquilo em que somos diferentes, não pelo facto de termos aguentado mais um ano sem nos termos suicidado. Bem...por vezes, é notável, de facto...
Talvez sejamos todos aristocratas de coração, mesmo. Tal como a nobreza de sangue saudamos a família e os bens, as heranças que recebemos e que receberíamos de qualquer forma mesmo que nada fizéssemos e obliteramos o valor de cada um, aquilo que fez a burguesia revoltar-se no final do século XVIII, o direito a sermos diferentes pelas nossas qualidades intrínsecas e pelo nosso trabalho: o valor de cada indivíduo. Nascemos todos livres e iguais, mas não nascemos todos com as mesmas capacidades e as mesmas vontades - essas, na minha óptica, é que deviam ser valorizadas: esse é o valor de cada indivíduo. E que na nossa sociedade se esquece tão ostensivamente que se percebe que incomoda.
(...)
O que uns são representa para outros o perigo de mostrar o que outros não são.
(...)
É triste. Passada a revolta e a estupfacção, resta um grande lamento. É lamentável o que valorizamos em sociedade, no século XXI, tal como no séc. XVI e XVIII.
(...)
Chega a parecer, à primeira vista, que tudo tem sido em vão. Os esforços, as lutas, as revoluções, as constituições. Mas é só à primeira vista, claro. Presto aqui homenagem a todos os que lutaram pelo crescimento e pela liberdade, que nos permitem estar aqui hoje, a dizer estas coisas nesta entrevista.
(...)
O que mais temo? Ficar amarga. Afundar-me em amargura.
(...)
O que me faz feliz? Cativar os meus alunos para o estudo da História e para a difícil luta quotidiana de todos os anónimos que fazem avançar isto."
(...)
Há os que me perguntam repetidamente quando caso e se esqueceram de me dar os parabéns quando terminei o doutoramento.
Talvez o episódio mais chocante tenha sido aquela amiga a quem comuniquei em voz baixa (entre a discrição e a emoção) que tinha terminado o doutoramento e que suspirou de alívio e, após uma pequena pausa inquiriu de forma afirmativa: Agora já te podes casar?!
(...)
Na realidade nós devíamos ser cumprimentado por aquilo que fazemos, pelos caminhos que escolhemos trilhar, por aquilo em que somos diferentes, não pelo facto de termos aguentado mais um ano sem nos termos suicidado. Bem...por vezes, é notável, de facto...
Talvez sejamos todos aristocratas de coração, mesmo. Tal como a nobreza de sangue saudamos a família e os bens, as heranças que recebemos e que receberíamos de qualquer forma mesmo que nada fizéssemos e obliteramos o valor de cada um, aquilo que fez a burguesia revoltar-se no final do século XVIII, o direito a sermos diferentes pelas nossas qualidades intrínsecas e pelo nosso trabalho: o valor de cada indivíduo. Nascemos todos livres e iguais, mas não nascemos todos com as mesmas capacidades e as mesmas vontades - essas, na minha óptica, é que deviam ser valorizadas: esse é o valor de cada indivíduo. E que na nossa sociedade se esquece tão ostensivamente que se percebe que incomoda.
(...)
O que uns são representa para outros o perigo de mostrar o que outros não são.
(...)
É triste. Passada a revolta e a estupfacção, resta um grande lamento. É lamentável o que valorizamos em sociedade, no século XXI, tal como no séc. XVI e XVIII.
(...)
Chega a parecer, à primeira vista, que tudo tem sido em vão. Os esforços, as lutas, as revoluções, as constituições. Mas é só à primeira vista, claro. Presto aqui homenagem a todos os que lutaram pelo crescimento e pela liberdade, que nos permitem estar aqui hoje, a dizer estas coisas nesta entrevista.
(...)
O que mais temo? Ficar amarga. Afundar-me em amargura.
(...)
O que me faz feliz? Cativar os meus alunos para o estudo da História e para a difícil luta quotidiana de todos os anónimos que fazem avançar isto."
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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Efeméride pessoal
Faz hoje um ano que cumpri um sonho!
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Chove
"Quando chovia depois de muito sol quente, meu pai gostava de ficar na janela da casa velha, lá em Minas, vendo as plantas no quintal, cada uma delas fazendo os gestos que sabia. Os tomateiros, hortelãs e manjericão, exalando seus perfumes. As folhas de couve e espinafre, brincando de juntar gotas d’água, grandes e brilhantes. As árvores e arbustos executando seus passos de dança, balançando as folhas, sob os pingos que caíam…
Ele olhava, sorria, baforava o seu cachimbo e dizia:
Veja como estão agradecidas…”
Rubem Alves
Ele olhava, sorria, baforava o seu cachimbo e dizia:
Veja como estão agradecidas…”
Rubem Alves
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