Ontem estreei uns ténis brancos. Branquinhos, branquinhos, como eu gosto. Mas logo olhei para eles com tristeza pensando “Não vão manter-se assim por muito tempo. Depois vão ficar «branco-sujo», o que já não tem graça nenhuma e depois terei de comprar outros branquinhos, branquinhos.”
Depois lembrei-me do tempo em que se usava «na minha ginástica» uns sapatinhos brancos – entre os ténis e as sapatilhas das bailarinas – que contrastavam com o maillô preto da Associação Académica da Amadora, com que eu abria orgulhosamente o desfile da «minha classe». Foi há muito tempo. Tinha eu aí uns cinco aninhos e era uma criança engraçadinha e que gostava de dar nas vistas; ficava, pois, bem na abertura.
Tinha então de ter os meus ténis muito branquinhos e a minha avó cuidava bem disso. Quando achava que os ténis estavam a ficar «encardidos» (como ela dizia) punha-os num banho «de leite e alvaiade». E lá recuperavam eles, dignos da menina da abertura do desfile!
Nunca soube o que era alvaiade, mas é sem dúvida uma palavra que faz parte da minha vida, de um pedacinho recôndito desportivo que se iluminou agora.
E lá fui eu à procura para guardar: Alvaiade é então uma palavra que vem do árabe (almentar, meu caro Watson!) e que designa um pigmento branco. Existe “alvaiade de chumbo”, que é um hidroxicarbonato de chumbo, tóxico, branco, usado em pintura a óleo e “alvaiade de zinco”, um óxido de zinco, branco, usado em farmácia e em pintura como substituto do alvaiade de chumbo. Deveria ser este último. Será que ainda existe?
O que é certo é que antigamente as avós, mães e outros seres extraordinários formados em economia doméstica, se aplicavam a reciclar, recuperar e dar nova vida às coisas para evitar comprar novo. Talvez seja desses ensinamentos que estamos a precisar para poupar o planeta e a economia, para sobreviver de forma mais ecológica (ou se calhar só lógica) a esta crise da sociedade de consumo. Mais uma vez é na História – nas soluções que o homem já outrora encontrou para os seus problemas – que devemos procurar os caminhos do futuro. Eles estão lá!
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
domingo, 25 de setembro de 2011
A memória e a identidade são condições básicas do desenvolvimento
Uma sociedade amnésica não tem futuro!
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sábado, 24 de setembro de 2011
«- Eh pá! Na Idade Média havia muitas feiras medievais!»
exclamou o R. ao observar o mapa das feiras medievais portuguesas que consta do manual de História.
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011
A esquizofrenia
pela uniformização é a tentativa desesperada - e receio que bem sucedida - de apagar a originalidade, a individualidade, a qualidade acima da média.
Será inveja, medo ou só insegurança? Mas, com as novas tecnologias e os rebanhos virtuais, está a medrar a um ritmo assustador.
Será inveja, medo ou só insegurança? Mas, com as novas tecnologias e os rebanhos virtuais, está a medrar a um ritmo assustador.
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terça-feira, 20 de setembro de 2011
Inédito?
Manoel de Oliveira registou ontem 80 anos sobre a estreia do seu primeiro filme. Tinha ele 22 anos. Começou cedo, de facto, mas...80 anos depois ainda continua.
Deviam convidá-lo para substituir o coelhinho das pilhas Duracell!
Deviam convidá-lo para substituir o coelhinho das pilhas Duracell!
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