Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Bairro do Oriente
"Tenho uma lamparina
Que trouxe das arábias
Para te amar à luz do azeite
Num kama-sutra de noites sábias..."
Compromisso
"Após a fase do «a toda a hora e mais que houvesse», foram dois anos, inteirinhos, naquela luta, naquele desacerto, de desejo frustrado para ambos.
Ela, à noite, deslizando qual pantera sobre os lençóis e o corpo dele, libertando tanto calor que quase provocaria uma explosão de gás, para esbarrar com o sono dele, que a atendia, por vezes com uma certa condescendência, e que, por mais de uma vez, adormeceu quando, de facto, não devia…não podia.
Ele, acordando, rijo e energético, manhã cedo a amaciar-lhe a pele, a apalpar-lhe as carnes, a explodir desejo antes mesmo de ela acordar e a queixar-se mais tarde da falta de entusiasmo dela, que acordava, realmente, tarde demais.
Decidindo terminar com o suplício, por manifesta incompatibilidade, escolheram a hora do meio-dia para assinar o divórcio."
Ela, à noite, deslizando qual pantera sobre os lençóis e o corpo dele, libertando tanto calor que quase provocaria uma explosão de gás, para esbarrar com o sono dele, que a atendia, por vezes com uma certa condescendência, e que, por mais de uma vez, adormeceu quando, de facto, não devia…não podia.
Ele, acordando, rijo e energético, manhã cedo a amaciar-lhe a pele, a apalpar-lhe as carnes, a explodir desejo antes mesmo de ela acordar e a queixar-se mais tarde da falta de entusiasmo dela, que acordava, realmente, tarde demais.
Decidindo terminar com o suplício, por manifesta incompatibilidade, escolheram a hora do meio-dia para assinar o divórcio."
terça-feira, 2 de agosto de 2011
A propósito do nada
"sou
para o outro
este corpo esta
voz
sou o que digo
e faço
enquanto posso
mas
para mim
só sou
se penso que sou
enfim
se sou
a consciência
de mim
e quando
vinda a morte
ela se apague
serei o que alguém acaso
salve
do olvido
já que
para mim
(lume apagado)
nunca terei existido"
Ferreira Gullar
para o outro
este corpo esta
voz
sou o que digo
e faço
enquanto posso
mas
para mim
só sou
se penso que sou
enfim
se sou
a consciência
de mim
e quando
vinda a morte
ela se apague
serei o que alguém acaso
salve
do olvido
já que
para mim
(lume apagado)
nunca terei existido"
Ferreira Gullar
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011
A Verdade
![]() |
| Eça de Queirós e a Verdade Lisboa (Réplica da estátua original de Teixeira Lopes) |
Mas só deixava passar
Meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
Porque a meia pessoa que entrava
Só trazia o perfil de meia verdade,
E a sua segunda metade
Voltava igualmente com meios perfis
E os meios perfis não coincidiam verdade...
Arrebentaram a porta.
Derrubaram a porta,
Chegaram ao lugar luminoso
Onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
Diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual
a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela
E carecia optar.
Cada um optou conforme
Seu capricho,
sua ilusão,
sua miopia."
Carlos Drummond de Andrade
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