Vou navegando, diariamente, num mar de papéis, no navio fantasma que é uma escola sem alunos.
Desempenho, conscienciosamente e com má-vontade, o «trabalho de férias» que me calhou. Deus nos livre de podermos nós, professores, aproveitar este tempo para ler, reflectir, olhar à volta e poder ter ideias de como ensinar melhor os alunos. Nós, operários do Ministério da Educação, teremos o nosso recreio, semelhante ao de todos os outros operários, que isso de fruir a vida, gera filósofos e outros subsersivos, que podem por esse ócio a render, multiplicando pelos jovens aprendizes, o gosto e a prática de pensar e viver segundo o pensamento próprio.
Reza a história de que, em tempos remotos, já foi mesmo necessário travar vícios destes a cicuta.
Só prova que aprendemos com a História. Será fácil agora isolar os elementos verdadeiramente perigosos: sáo aqueles que, a despeito de tudo o que tem sido feito, ainda insistirem em ler, em pensar e em falar sobre isso. Subsistirão alguns, mas, graças à eficácia das medidas tomadas, já serão poucos e, assim, tornam-se uma ameaça mais fácil de debelar.
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
segunda-feira, 11 de julho de 2011
domingo, 10 de julho de 2011
Sobre praias
sábado, 9 de julho de 2011
Como ninguém
"Português e vivo
É diminutivo
Só fazemos bem
Torres de Belém"
Carlos Queiroz
(colhido em poedia)
É diminutivo
Só fazemos bem
Torres de Belém"
Carlos Queiroz
(colhido em poedia)
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quinta-feira, 7 de julho de 2011
Passeios apetecíveis
"Embora instaurando os seus próprios lugares de culto, construindo templos que acolhem a nova religião - o cristianismo -, deu-se, mesmo assim, uma reocupação e uma reintrepretação dos santuários mais antigos, pagãos, de modo que aos princípios devocionais cristãos - e, depois, católicos - pudesse corresponder, por sua vez, uma incondicional adesão dos crentes. E é assim que muitos locais de romaria, pequenos e grandes santuários, mosteiros e igrejas, constituem como que refundações desses mesmos lugares, agora cristianizados, mas mantendo a coerência antiquíssima, vetusta, de religação ao pagus, e ao território e ao cosmo, inclusivamente fazendo corresponder as suas festas com os calendários que os corpos astrais motivaram e motivam (algo que se testemunha nas lendas e nos rituais).
(...)
Esses lugares constituem-se assim em lugares qualificados, lugares especiais, onde se estabelecem místicos, eremitas, gnósticos, em busca de um conhecimento universal e de uma privilegiada comunicação com Deus (ou com os deuses)."
Pereira, Paulo, Lugares Mágicos de Portugal: Montes Sagrados, Altos Lugares e Santuários, Lisboa, Círculo de Leitores, 2010, pp. 11-15
(...)
Esses lugares constituem-se assim em lugares qualificados, lugares especiais, onde se estabelecem místicos, eremitas, gnósticos, em busca de um conhecimento universal e de uma privilegiada comunicação com Deus (ou com os deuses)."
Pereira, Paulo, Lugares Mágicos de Portugal: Montes Sagrados, Altos Lugares e Santuários, Lisboa, Círculo de Leitores, 2010, pp. 11-15
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terça-feira, 5 de julho de 2011
Todas as opiniões
"Todas as opiniões que há sobre a natureza
Nunca fizeram crescer uma erva ou nascer uma flor.
Toda a sabedoria a respeito das cousas
Nunca foi cousa em que pudesse pegar como nas cousas;
Se a ciência quer ser verdadeira,
Que ciência mais verdadeira que a das cousas sem ciência?
Fecho os olhos e a terra dura sobre que me deito
Tem uma realidade tão real que até as minhas costas a sentem.
Não preciso de raciocínio onde tenho espáduas."
Alberto Caeiro
Nunca fizeram crescer uma erva ou nascer uma flor.
Toda a sabedoria a respeito das cousas
Nunca foi cousa em que pudesse pegar como nas cousas;
Se a ciência quer ser verdadeira,
Que ciência mais verdadeira que a das cousas sem ciência?
Fecho os olhos e a terra dura sobre que me deito
Tem uma realidade tão real que até as minhas costas a sentem.
Não preciso de raciocínio onde tenho espáduas."
Alberto Caeiro
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