"A independência não é uma abdicação, mas a neutralidade é uma falta, grave, em relação aos deveres de cidadania. Não é por acaso que Dante, no Inferno, reservou os lugares mais tenebrosos para aqueles que se mantiveram neutros em tempo de crise moral."
Grilo, E. Marçal, Se não Estudas Estás Tramado (p. 149)
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
terça-feira, 8 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Antídoto
Vai-me hoje um negrume na alma, que não consigo compreender.
Até porque, se fizer aquelas contas entre o que foi bom e mau no dia, o saldo é positivo, mas...pronto...vá-se lá tentar perceber a alma: hoje está de cortina preta, não há nada a fazer.
Não há...quer dizer...eu não sou de entregar os pontos assim. Eu vou fazendo tudo o que posso para não sucumbir a maus pensamentos. Eu sou daqueles que trabalham muito pelo sorriso, desde que me lembro.
E então, lá fui à procura de um antídoto, para as notícias colhidas na televisão sobre a nossa economia.
Na economia eu tenho uma grande vantagem: não percebo nada! Por isso é fácil decidir: entre um discurso optimista e um pessimista, ambos verdadeiramente inacessíveis para mim, escolho o melhorzinho (assim me fosse possível manter a esperança no campo da educação...)
Portanto, cá vai, esperando que o homem tenha razão:
"Portugal foi, a par da Irlanda, da Suécia e Reino Unido, um dos países pioneiros do mundo a criar, em 1996, uma agência de gestão da dívida pública, o Instituto de Gestão de Crédito Público (IGCP), dando um claro exemplo de ousadia face à mentalidade dominante na Administração Pública e de um pacto de regime, que colocou os interesses do Estado acima das questões partidárias.
(...)
Constituímos um «case study» internacional nesta matéria, somos realmente bons gestores da nossa dívida pública. Soubemos, rapidamente, recuperar do isolamento do passado, ajudámos a definir os «standards» internacionais e colocámos Portugal como um país sério e muito credível neste tão sensível e importante mercado."
(A Gestão da Dívida Pública, Janeiro de 2005)
Sim, sim, tem uns aninhos, o texto, mas continuamos a invocar textos pessimistas centenários, porque não podemos reler um texto optimista com uns aninhos? Há sempre duas perspectivas para as coisas. Esta não vende jornais, mas faz parte de um livro, que quem me conhece bem, me ofereceu, para que eu possa - com citações apropriadas - remar contra as depressões (as minhas e as dos outros que por aí andam, neste país - de novo - cinzentão).
O texto é do livro Portugal Genial - que já aqui referi - da autoria de Carlos Coelho, que faz a compilação das suas crónicas publicadas no Diário Económico, em 2004-2005. Tenhamos fé e espírito positivo!...
Até porque, se fizer aquelas contas entre o que foi bom e mau no dia, o saldo é positivo, mas...pronto...vá-se lá tentar perceber a alma: hoje está de cortina preta, não há nada a fazer.
Não há...quer dizer...eu não sou de entregar os pontos assim. Eu vou fazendo tudo o que posso para não sucumbir a maus pensamentos. Eu sou daqueles que trabalham muito pelo sorriso, desde que me lembro.
E então, lá fui à procura de um antídoto, para as notícias colhidas na televisão sobre a nossa economia.
Na economia eu tenho uma grande vantagem: não percebo nada! Por isso é fácil decidir: entre um discurso optimista e um pessimista, ambos verdadeiramente inacessíveis para mim, escolho o melhorzinho (assim me fosse possível manter a esperança no campo da educação...)
Portanto, cá vai, esperando que o homem tenha razão:
"Portugal foi, a par da Irlanda, da Suécia e Reino Unido, um dos países pioneiros do mundo a criar, em 1996, uma agência de gestão da dívida pública, o Instituto de Gestão de Crédito Público (IGCP), dando um claro exemplo de ousadia face à mentalidade dominante na Administração Pública e de um pacto de regime, que colocou os interesses do Estado acima das questões partidárias.
(...)
Constituímos um «case study» internacional nesta matéria, somos realmente bons gestores da nossa dívida pública. Soubemos, rapidamente, recuperar do isolamento do passado, ajudámos a definir os «standards» internacionais e colocámos Portugal como um país sério e muito credível neste tão sensível e importante mercado."
(A Gestão da Dívida Pública, Janeiro de 2005)
Sim, sim, tem uns aninhos, o texto, mas continuamos a invocar textos pessimistas centenários, porque não podemos reler um texto optimista com uns aninhos? Há sempre duas perspectivas para as coisas. Esta não vende jornais, mas faz parte de um livro, que quem me conhece bem, me ofereceu, para que eu possa - com citações apropriadas - remar contra as depressões (as minhas e as dos outros que por aí andam, neste país - de novo - cinzentão).
O texto é do livro Portugal Genial - que já aqui referi - da autoria de Carlos Coelho, que faz a compilação das suas crónicas publicadas no Diário Económico, em 2004-2005. Tenhamos fé e espírito positivo!...
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domingo, 6 de junho de 2010
Temporais de Palavras
"O tempo pergunta ao tempo
quanto tempo o tempo tem
e
o tempo responde ao tempo
que o tempo tem o tempo
o tempo que o tempo tem"
Eu gostava muito de escrever sobre o tempo.
Acho um tema fascinante. O tempo cronológico, o tempo mitológico, o tempo cíclico, o tempo metafórico...«por todos os séculos e séculos...» Mas não tenho tempo.
Lembro-me que, há quatro anos, andava tudo "açudado" a falar do número da besta: 06/06/06! Invocando interpretações bíblicas e razões escatológicas prescrutava-se o tempo, a ver se vinha lá o fim dos tempos.
A seu tempo, o tempo prova-nos que estas questões temporais são temporárias, cíclicas, passageiras e omnipresentes, por paradoxal que isso pareça.
Acho, de facto, o tema do tempo fascinante. Acho mesmo que é um tema inesgotável; ao contrário do próprio tempo, que se esgota, para cada um de nós, parecendo-nos a vida uma grande ampulheta e os grãos de areia os nossos dias...
Há sempre a esperança de virar a ampulheta e começar tudo de novo, outra e outra vez...menos escatológica, mas não menos religiosa esta perspectiva. Será o tempo inesgotável, irrepetível?
Adoraria discutir estas questões, mas não tenho tempo!
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sábado, 5 de junho de 2010
Dois Loucos no Bairro
"um passa os dias
chutando postes para ver se acendem
o outro as noites
apagando palavras
contra um papel branco
todo bairro tem um louco
que o bairro trata bem
só falta mais um pouco
pra eu ser tratado também"
Paulo Leminski(1944-1989), colhido em poemblog
chutando postes para ver se acendem
o outro as noites
apagando palavras
contra um papel branco
todo bairro tem um louco
que o bairro trata bem
só falta mais um pouco
pra eu ser tratado também"
Paulo Leminski(1944-1989), colhido em poemblog
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sexta-feira, 4 de junho de 2010
Pied-de-nez
"Lá anda a minha Dor às cambalhotas
No salão de vermelho atapetado -
Meu cetim de ternura engordurado,
Rendas da minha ânsia todas rotas...
O Erro sempre a rir-me em destrambelho -
Falso mistério, que não se abrange...
De antigo armário que agoirento reage,
Minh'alma actual o esverdinhado espelho...
Chora em mim um palhaço às piruetas;
O meu castelo em Espanha, ei-lo vendido -
E, entretanto, foram de violetas,
Deram-me beijos sem os ter pedido...
Mas como sempre, ao fim - bandeiras pretas,
Tômbolas falsas, carroussel partido..."
Mário de Sá-Carneiro (1890-1916) - colhido em poemblog
No salão de vermelho atapetado -
Meu cetim de ternura engordurado,
Rendas da minha ânsia todas rotas...
O Erro sempre a rir-me em destrambelho -
Falso mistério, que não se abrange...
De antigo armário que agoirento reage,
Minh'alma actual o esverdinhado espelho...
Chora em mim um palhaço às piruetas;
O meu castelo em Espanha, ei-lo vendido -
E, entretanto, foram de violetas,
Deram-me beijos sem os ter pedido...
Mas como sempre, ao fim - bandeiras pretas,
Tômbolas falsas, carroussel partido..."
Mário de Sá-Carneiro (1890-1916) - colhido em poemblog
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