segunda-feira, 10 de maio de 2010

"Uma papoila

crescia, crescia,
grito vermelho, num campo qualquer.
Como ela, somos livres
somos livres, de crescer



Uma criança dizia, dizia:
«Quando for grande,
não vou combater».
Como ela, somos livres,

somos livres de dizer"

Música e letra de Ermelinda Duarte


Caminhava eu por S. Martinho do Porto, quando esta papoila me saltou ao caminho e me relembrou que eu sou livre de crescer e de dizer. Mas colocou-me uma pergunta a que eu não sei responder: O que é feito da Ermelinda Duarte, de quem conheço esta música - como toda a gente - mas de quem nada mais sei?
(Não se dão alvíssaras, mas agradece-se antecipadamente os possíveis esclarecimentos).

domingo, 9 de maio de 2010

Cardume



(Um dos objectos de decoração do Restaurante «Abrigo da Montanha», na Serra da Boa Viagem)

Figueira da Foz - 9/5/2010







(Com dedicatória implícita)

sábado, 8 de maio de 2010

Preparativos para a chegada do Papa

A laicidade do nosso Estado é uma coisa fantástica!
(na verdadeira acepção da palavra)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Fé no Serviço Público...

"Nos hospitais públicos, quando o paciente não responde ao tratamento, substituem o paciente."

"O Governo ainda não se deu conta da grande quantidade de funcionários públicos deprimidos que poderiam estar curados, caso tivessem acesso a uma terapia ocupacional."

...no Brasil

Georges Najjar Jr., Desaforismos

Recado para Meggy

«Quando é que eu vou para casa?» indagou, com tom quase autoritário.

«Quando a tua dona te vier buscar» respondi-lhe, sem dar grande importância.

Reparei que os quadrados do padrão escocês se alongaram um pouco e tive receio que ele fosse sensível e começasse a chorar.

«Olha lá» tentei, mais conciliadora «porque não aproveitas o tempo e convives um pouco com os teus colegas?»

Aí compreendi que era arrogância, mesmo, e não simplesmente tristeza.

Eu sei que os meus chapéus de chuva foram comprados em lojas chinesas, em dias de chuva, naquelas urgências que sempre me irritam, pois devia estar prevenida com um dos chapéus que acumulo em casa. O visitante era, de facto, de outra estirpe: madeira, forte, padrão delicado...uma verdadeira sombrinha e não apenas um chapéu de chuva.

Tentei mais uma vez: «Nem eu nem eles temos culpa que a tua dona te tenha esquecido no café da minha rua! Eu até te fiz um favor de te ir buscar: estavas no caixote do lixo, lembras-te? Deixa que te diga: aquilo não era um chapeleiro a sério.»

Desde aí reparei que ele amuou. Virado para a parede recusou-se a fazer sequer um sorriso para os colegas de estirpe inferior. Eu juraria que ele olhava para eles com uma das varetas, rematadas a madeira, mais levantada que as outras, em sinal de desprezo.

Deixei de lhe ligar. Entrava e saía sem lhe dar cavaco.

Chegou o sol e eu estreei as sandálias e passei a pôr creme solar no rosto, feliz da vida.

Esta noite, eu sei que ouvi, um matraquear, uma espécie de fandango de um só pé, ou uma dança solitária de uma bengala. Não liguei. Acreditei que seriam aqueles espíritos que povoam os livros da Isabel Allende e que não nos devemos preocupar muito com essas questões.

Esta manhã chovia a potes e só quando regressei, ensopada, ao fim da manhã, percebi tudo, sobretudo o ar triunfante da nobre sombrinha.

O som de ontem era uma dança da chuva! Claro: quem sente a falta de um chapéu de chuva em dia de sol?

Portanto, pequena, eu e o teu chapéu estamos fartos um do outro. Fazes o favor de o vir buscar que eu quero voltar a usar as sandálias!

A qualquer hora esperamos por ti!



Nota destinada a evitar equívocos: Isto foi só um pretexto para escrever um texto. Por favor, não amofines. Mas, se eu fosse o teu chapéu, estaria, mesmo, um bocadinho aborrecida. Beijinhos.

Castelo de Leiria - 1 de Maio de 2010