sexta-feira, 30 de abril de 2010

«Country Road»

Às vezes gosto de conduzir de noite.
Sobretudo na zona entre Torres Vedras e Bombarral.
Os montes e vales, pontuados por pequenas e dispersas concentrações de luzes, como se estivesse a olhar para um grande tapete de Arraiolos em execução, onde ainda só os motivos amarelos estão bordados; até chegar à grande pêra, delineada por luzes, que se individualiza na paisagem, como um brilhante enfeite de Natal.
Na serra oestina, os moinhos alternativos substituem o rodar ventoso e o som das cabaças, as velas. Mas continua a haver algo de mágico no seu rodar, na sua luz intermitente, que acrescenta mais um brilho à paisagem nocturna. Que eu vou devorando com os olhos, ao mesmo tempo que o meu carro devora os kilómetros que me devolvem a casa.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Mundo visto assim

A história de hoje não é minha. Ouvi-a da boca de uma avó, no café, de manhã, mas fez-me pensar como as crianças encaram sempre tudo com simplicidade, como é bom quando não percebemos a palavra «Fim» como definitiva...

"Quando eu perdi o meu pai, tomava conta do meu neto mais velho e ia muitas vezes para junto do mar. Gostava de ficar ali, a reflectir ou simplesmente a olhar o mar. E levava-o comigo.
Num desses dias, estávamos dentro do carro e ele perguntou:
- Costumas falar com o teu pai?
- Não, filho, o avô morreu. Tu sabes...
- Eu sei. Mas não tens falado com ele?
- Não...penso muito nele...mas não posso falar, falar, com ele.
- Podes sim.
- Mas...porque é que tu dizes isso?
- Porque, quando fui com o pai ao cemitério, junto do retrato do avô, estava um número: podes-lhe telefonar.
Confirmei com o meu filho. Tinha ido à campa do pai e levado o filho. O miúdo não tinha feito comentários, mas, pelos vistos, assumira os «jardins de pedra», como uma grande e original lista telefónica."

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Já passava um bom quarto de hora do início da aula, quando o rapazinho abriu a porta sem pedir licença e tentou esgueirar-se para o seu lugar.
- Ó rapazinho?!...Porque é que vens a esta hora? - perguntei visivelmente irritada
- Atrasei-me - respondeu o «jovem» sem dar grande importância à questão.
- Ah! Ainda bem que me dizes! Estava convencida que vinhas adiantado para a aula a seguir.
Uma parte da turma riu-se. Alguns fizeram comentários entre eles.
O «jovem» não tinha, visivelmente, percebido nada. O colega de carteira esclareceu-o: - A s'tôra 'tá a ser «irótica».
"Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega, quem não tem medo, de naufragar"


Cada Lugar Teu, Mafalda Veiga

terça-feira, 27 de abril de 2010

Terça-feira Godinha

"É terça-feira
e a feira da ladra
abre hoje às cinco
de madrugada

E a rapariga
desce a escada quatro a quatro
vai vender mágoas
ao desbarato
vai vender
juras falsas
amargura
ilusões
trapos e cacos e contradições


É terça-feira
e das cinzas talvez
amanhã que é quarta-feira
haja fogo outra vez
o coração é incapaz de dizer
"tanto faz"
parte p´ra guerra
com os olhos na paz

(...)"


Terça-feira, Sérgio Godinho

Há a terça-feira gorda, deve haver a terça-feira magra e, entre as duas, há a terça-feira godinha.
É incrível como as personagens do Sérgio Godinho se «colam» a nós. As vezes que eu me senti «a descer as escadas a quatro e quatro», para já não falar na Etelvina, claro, com quem já só tinha uma consciência adormecida das semelhanças...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A propósito do discuro presidencial

"Atira-te ao mar
e diz que t'empurrarem"

Tudo palavras de algarvios.
Lembram-se dos Iris? No caso deles completavam: "Beija-me na boca e chama-me Tarzan", mas...convenhamos...

domingo, 25 de abril de 2010

Será que é fundamentalismo

meu (a favor e contra), estranhar que, no dia de hoje, a primeira notícia do serviço noticioso da sic seja sobre futebol? A segunda - e longa - foi sobre o 25 de Abril...