Campo de sucatas
"Saudade do futuro que não houve
aquele que ia ser nobre e pobre
como é que tudo aquilo pôde
virar esse presente podre
e esse desespero em lata?
pôde sim pôde como pode
tudo aquilo que a gente sempre deixou poder
tanta surpresa pressentida
morrer presa na garganta ferida
raciocínio que acabou em reza
festa que hoje a gente enterra
pode sim pode sempre como toda coisa nossa
que a gente apenas deixa poder que possa"
Paulo Leminski (1944-1989)
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Tropelias da Alma em Dia de Carnaval
Sei lá
"Vai pela sombra, firme,
o desejo desespero de voltar
antes mesmo de ir-me
antes de cometer o crime,
me transformar em outro
ou em outro transformar-me
quem sabe obra de arte,
talvez, sei lá, falso alarme,
grito caindo no poço,
neste pouco poço nada vejo nem ouço,
mais mais mais
cada vez menos.
Poder isso, sinto, é tudo que posso,
o tão pouco tudo que podemos."
Paulo Leminski (1944-1989)
"Vai pela sombra, firme,
o desejo desespero de voltar
antes mesmo de ir-me
antes de cometer o crime,
me transformar em outro
ou em outro transformar-me
quem sabe obra de arte,
talvez, sei lá, falso alarme,
grito caindo no poço,
neste pouco poço nada vejo nem ouço,
mais mais mais
cada vez menos.
Poder isso, sinto, é tudo que posso,
o tão pouco tudo que podemos."
Paulo Leminski (1944-1989)
Etiquetas:
Dúvidas,
Palavras Cativas,
Palavras de Outros
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Gatas Borralheiras
Sons do fundo do baú do tempo
"I cried a tear
You wiped it dry
I was confused
You cleared my mind
I sold my soul
You bought it back for me
And held me up and gave me dignity
Somehow you needed me
You gave me strength
To stand alone again
To face the world
Out on my own again
You put me high upon a pedestal
So high that I could almost see eternity
You needed me
You needed me
And I can't believe it's you I can't believe it's true
I needed you and you were there (...)"
You Needed Me,Randy Goodrum/Anne Murray
You wiped it dry
I was confused
You cleared my mind
I sold my soul
You bought it back for me
And held me up and gave me dignity
Somehow you needed me
You gave me strength
To stand alone again
To face the world
Out on my own again
You put me high upon a pedestal
So high that I could almost see eternity
You needed me
You needed me
And I can't believe it's you I can't believe it's true
I needed you and you were there (...)"
You Needed Me,Randy Goodrum/Anne Murray
Etiquetas:
I Wish,
Palavras Cantadas,
Palavras Forasteiras
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Valentinias
No meu tempo de Menina e Moça o mês do coração era Maio e o Santo Padroeiro da festa era o Dr. Fernando Pádua.
Depois chegou a «junk food» e a televisão por cabo a Portugal e os portugueses começaram a ficar obesos e aumentou o número de ataques cardíacos.
Então anteciparam o mês do coração para Fevereiro e chamaram um Padroeiro estrangeiro.
Hoje existem enormes corações em quase todos os espaços públicos e amanhã celebrar-se-á o combate: S. Valentim, exibindo valentia, derrotará, de sobre o seu cavalo, o dragão colesterol mau.
Depois, descerá do céu, num trapézio, uma menina linda, quase angelical e coroará o Santo Vencedor com um colar de flores ao estilo Haiti.
A população aplaudirá em êxtase.
O cavalo preencherá os papeis para a reforma antecipada e viverá feliz para sempre.
A maior parte da população assistirá ao combate pela televisão em 3D, enquanto come uma maçã do amor caramelizada, como manda a tradição.
Depois chegou a «junk food» e a televisão por cabo a Portugal e os portugueses começaram a ficar obesos e aumentou o número de ataques cardíacos.
Então anteciparam o mês do coração para Fevereiro e chamaram um Padroeiro estrangeiro.
Hoje existem enormes corações em quase todos os espaços públicos e amanhã celebrar-se-á o combate: S. Valentim, exibindo valentia, derrotará, de sobre o seu cavalo, o dragão colesterol mau.
Depois, descerá do céu, num trapézio, uma menina linda, quase angelical e coroará o Santo Vencedor com um colar de flores ao estilo Haiti.
A população aplaudirá em êxtase.
O cavalo preencherá os papeis para a reforma antecipada e viverá feliz para sempre.
A maior parte da população assistirá ao combate pela televisão em 3D, enquanto come uma maçã do amor caramelizada, como manda a tradição.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

