"Bem, uma vez que o lugar mais perto do aquecedor está a ser ocupado por ti há mais de uma hora...é bom pensares em dar a vez a outra..."
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Sons do fundo do baú do tempo
"I cried a tear
You wiped it dry
I was confused
You cleared my mind
I sold my soul
You bought it back for me
And held me up and gave me dignity
Somehow you needed me
You gave me strength
To stand alone again
To face the world
Out on my own again
You put me high upon a pedestal
So high that I could almost see eternity
You needed me
You needed me
And I can't believe it's you I can't believe it's true
I needed you and you were there (...)"
You Needed Me,Randy Goodrum/Anne Murray
You wiped it dry
I was confused
You cleared my mind
I sold my soul
You bought it back for me
And held me up and gave me dignity
Somehow you needed me
You gave me strength
To stand alone again
To face the world
Out on my own again
You put me high upon a pedestal
So high that I could almost see eternity
You needed me
You needed me
And I can't believe it's you I can't believe it's true
I needed you and you were there (...)"
You Needed Me,Randy Goodrum/Anne Murray
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domingo, 14 de fevereiro de 2010
Valentinias
No meu tempo de Menina e Moça o mês do coração era Maio e o Santo Padroeiro da festa era o Dr. Fernando Pádua.
Depois chegou a «junk food» e a televisão por cabo a Portugal e os portugueses começaram a ficar obesos e aumentou o número de ataques cardíacos.
Então anteciparam o mês do coração para Fevereiro e chamaram um Padroeiro estrangeiro.
Hoje existem enormes corações em quase todos os espaços públicos e amanhã celebrar-se-á o combate: S. Valentim, exibindo valentia, derrotará, de sobre o seu cavalo, o dragão colesterol mau.
Depois, descerá do céu, num trapézio, uma menina linda, quase angelical e coroará o Santo Vencedor com um colar de flores ao estilo Haiti.
A população aplaudirá em êxtase.
O cavalo preencherá os papeis para a reforma antecipada e viverá feliz para sempre.
A maior parte da população assistirá ao combate pela televisão em 3D, enquanto come uma maçã do amor caramelizada, como manda a tradição.
Depois chegou a «junk food» e a televisão por cabo a Portugal e os portugueses começaram a ficar obesos e aumentou o número de ataques cardíacos.
Então anteciparam o mês do coração para Fevereiro e chamaram um Padroeiro estrangeiro.
Hoje existem enormes corações em quase todos os espaços públicos e amanhã celebrar-se-á o combate: S. Valentim, exibindo valentia, derrotará, de sobre o seu cavalo, o dragão colesterol mau.
Depois, descerá do céu, num trapézio, uma menina linda, quase angelical e coroará o Santo Vencedor com um colar de flores ao estilo Haiti.
A população aplaudirá em êxtase.
O cavalo preencherá os papeis para a reforma antecipada e viverá feliz para sempre.
A maior parte da população assistirá ao combate pela televisão em 3D, enquanto come uma maçã do amor caramelizada, como manda a tradição.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Carnaval
"A máscara
Eu sei que há muito pranto na existência,
Dores que ferem corações de pedra,
E onde a vida borbulha e o sangue medra,
Aí existe a mágoa em sua essência.
No delírio, porém, da febre ardente
Da ventura fugaz e transitória
O peito rompe a capa tormentória
Para sorrindo palpitar contente.
Assim a turba inconsciente passa,
Muitos que esgotam de prazer a taça
Sentem no peito a dor indefinida
E entre a mágoa que másc'ra eterna apouca
A Humanidade
ri-se e ri-se louca
No carnaval intérmino da vida."
Augusto dos Anjos (1884-1914)
Eu sei que há muito pranto na existência,
Dores que ferem corações de pedra,
E onde a vida borbulha e o sangue medra,
Aí existe a mágoa em sua essência.
No delírio, porém, da febre ardente
Da ventura fugaz e transitória
O peito rompe a capa tormentória
Para sorrindo palpitar contente.
Assim a turba inconsciente passa,
Muitos que esgotam de prazer a taça
Sentem no peito a dor indefinida
E entre a mágoa que másc'ra eterna apouca
A Humanidade
ri-se e ri-se louca
No carnaval intérmino da vida."
Augusto dos Anjos (1884-1914)
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Escrever com o coração
"Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)"
Álvaro de Campos, 21-10-1935
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)"
Álvaro de Campos, 21-10-1935
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Da ficção à realidade
"Do lugar onde eu nasci
Não se avista Hollywood
No lugar onde eu cresci
ninguém diz "Baby I love you"
O lugar onde eu nasci
É um lugarejo rude
Longe de Hollywood"
Café Hollyood, Azeitonas
Não se avista Hollywood
No lugar onde eu cresci
ninguém diz "Baby I love you"
O lugar onde eu nasci
É um lugarejo rude
Longe de Hollywood"
Café Hollyood, Azeitonas
Calmante: é a calma do amante?
"Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu pensar em você
Isso me acalma, me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver"
Amor I Love You, Marisa Monte
Deixa eu pensar em você
Isso me acalma, me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver"
Amor I Love You, Marisa Monte
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