Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
domingo, 31 de janeiro de 2010
Comemora-se o 31 de Janeiro de 1891, que poderia ter sido a proclamação da República...mas não foi...logo...
"Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!
-Agora não, que é hora do almoço...
-Agora não, que é hora do jantar...
-Agora não, que eu acho que não posso...
-Amanhã vou trabalhar...
Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!
-Agora não, que me dói a barriga...
-Agora não, dizem que vai chover...
-Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...
Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, e é esta a direcção!
-Agora não, que falta um impresso...
-Agora não, que o meu pai não quer...
-Agora não, que há engarrafamentos...
-Vão sem mim, que eu vou lá ter..."
Deolinda, Movimento Perpétuo Associativo, composição de Pedro da Silva Martins
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!
-Agora não, que é hora do almoço...
-Agora não, que é hora do jantar...
-Agora não, que eu acho que não posso...
-Amanhã vou trabalhar...
Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!
-Agora não, que me dói a barriga...
-Agora não, dizem que vai chover...
-Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...
Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, e é esta a direcção!
-Agora não, que falta um impresso...
-Agora não, que o meu pai não quer...
-Agora não, que há engarrafamentos...
-Vão sem mim, que eu vou lá ter..."
Deolinda, Movimento Perpétuo Associativo, composição de Pedro da Silva Martins
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sábado, 30 de janeiro de 2010
Falta de coragem
"I'm here! What are your other two wishes"
Era assim a frase (espero que o meu inglês não tenha nenhum erro) que me encantou numa t-shirt, numa loja do Rossio.
Adorei-a! Devia tê-la trazido, mas duvidei que tivesse coragem para a vestir.
Se fosse um íman de frigorífico tinha comprado...
Mas era o máximo e resolvi guardar aqui as suas palavras.
Era assim a frase (espero que o meu inglês não tenha nenhum erro) que me encantou numa t-shirt, numa loja do Rossio.
Adorei-a! Devia tê-la trazido, mas duvidei que tivesse coragem para a vestir.
Se fosse um íman de frigorífico tinha comprado...
Mas era o máximo e resolvi guardar aqui as suas palavras.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
De tanto brilhar, ensurdeceu.
"O aluno tomou a palavra, feliz por ser o primeiro a interpelar os colegas que terminavam de apresentar o trabalho à turma. Tinha de ser ele! Ele tinha de ser sempre a estrela, sem compreender que, na maior parte das suas intervenções/exibições, o brilho não correspondia ao papel que queria para si.
- Podem amostrar outra vez...
- Mostrar! - interrompeu correctivamente a professora, com ar aborrecido - Já te disse que é o verbo mostrar...
- Pois...- parou um bocadinho como se tivesse sido encandeado, de noite, pelos faróis de um carro, enquanto atravessava a passadeira a correr - Podem mostrar outra vez - falava lentamente e a olhar para a professora, com ar vencedor, antes de aumentar de novo o ritmo: porque eu não vi da primeira vez qu'amostraram.
Todos se riram. E ele também! Porque, fosse lá o que fosse que tinha dito, era o centro das atenções de todos naquela sala."
- Podem amostrar outra vez...
- Mostrar! - interrompeu correctivamente a professora, com ar aborrecido - Já te disse que é o verbo mostrar...
- Pois...- parou um bocadinho como se tivesse sido encandeado, de noite, pelos faróis de um carro, enquanto atravessava a passadeira a correr - Podem mostrar outra vez - falava lentamente e a olhar para a professora, com ar vencedor, antes de aumentar de novo o ritmo: porque eu não vi da primeira vez qu'amostraram.
Todos se riram. E ele também! Porque, fosse lá o que fosse que tinha dito, era o centro das atenções de todos naquela sala."
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Palavras Cativas,
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Os outros somos nós, pois se pensarmos de outra forma...quem somos?
"Quando os nazis venceram os comunistas fiquei em silêncio; eu não era um comunista.
Então eles vieram e levaram os os sociais-democratas, e continuei em silêncio; eu não era um social-democrata.
Quando eles assumiram o sindicato, eu não protestei; eu não era um sindicalista.
Quando eles buscaram os judeus, continuei em silêncio; eu não era um judeu.
Quando eles me escolheram, já não havia ninguém que pudesse protestar."
Martin Niemöller (14 de janeiro de 1892 - 6 de março de 1984)
Então eles vieram e levaram os os sociais-democratas, e continuei em silêncio; eu não era um social-democrata.
Quando eles assumiram o sindicato, eu não protestei; eu não era um sindicalista.
Quando eles buscaram os judeus, continuei em silêncio; eu não era um judeu.
Quando eles me escolheram, já não havia ninguém que pudesse protestar."
Martin Niemöller (14 de janeiro de 1892 - 6 de março de 1984)
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AUSCHWITZ (65 anos)
Para lá do que é compreensível.
E no entanto foi possível. Os factos o demonstram.
Só uma Memória Viva poderá evitar que se apague...que se repita.
Lembrar; Chorar; Homenagear...manter a memória sempre alerta.
E no entanto foi possível. Os factos o demonstram.
Só uma Memória Viva poderá evitar que se apague...que se repita.
Lembrar; Chorar; Homenagear...manter a memória sempre alerta.
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010
RTPM
Cheguei a casa cansada, mas precisava, antes de cair - literalmente - no sofá, de imprimir algumas coisas para as aulas de amanhã de manhã.
Liguei a televisão na RTP1, eram cerca de 20 h, sempre ouviria as notícias.
Haiti, acidente na A4, imagens chocantes...aviso aos telespectadores e «cá vai disto» imagens para toda a família ficar chocada e irmos todos criando uma resistência - que se reveste de indiferença - ao horror, à morte, à dor...(quase invocava o Albarrâ, agora...)
Sei que só estou a ouvir isto tudo porque a estante me separa do acesso à televisão, me impede olhar as imagens e o cabo da impressora me retém deste lado...sem energia para, sequer, ir desligar o aparelho.
A determinada altura os meus sentidos bloqueiam a percepção àquilo tudo e, só passado algum tempo, volto a tomar atenção: desta vez é uma reportagem sobre «o pequeno Saúl», que se «notabilizara» por cantar, em versão infantil, as ordinarices de Quim Barreiros, outro notável da Nação. A pobre criança foi afinal explorada pela família que o deixou na penúria (14 € na conta!) e ele lá continua, com um ar ordinareco mas honesto, a cantar as suas brejeirices que vão encantando plateias. Filmado junto das peixeiras da Fiqueira da Foz, ficou atestado no serviço noticioso, que era um rapaz trabalhador e merecedor de apreço.
Quase logo a seguir surge uma «reportagem profunda» sobre o terço que Cristiano Ronaldo usa sempre ao pescoço. E que é feito de plástico! Um modesto terço, feito numa fabriqueta familiar dos arredores de Fátima. Lá estavam todas as produtoras de terços, orgulhosas, fiéis e empreendedoras: estão até a pensar em começar a comercializar a Nossa Senhora com cores mais modernas...azul forte, cor-de-rosa...
Chega! Levanto-me da cadeira e vou verificar que não estava numa emissão da RTPMemória, mas sim da RTPMesmo.
Fátima, Futebol e Música Pimba: a «nova trilogia»? Conta-me como foi e já não é, por favor!
Liguei a televisão na RTP1, eram cerca de 20 h, sempre ouviria as notícias.
Haiti, acidente na A4, imagens chocantes...aviso aos telespectadores e «cá vai disto» imagens para toda a família ficar chocada e irmos todos criando uma resistência - que se reveste de indiferença - ao horror, à morte, à dor...(quase invocava o Albarrâ, agora...)
Sei que só estou a ouvir isto tudo porque a estante me separa do acesso à televisão, me impede olhar as imagens e o cabo da impressora me retém deste lado...sem energia para, sequer, ir desligar o aparelho.
A determinada altura os meus sentidos bloqueiam a percepção àquilo tudo e, só passado algum tempo, volto a tomar atenção: desta vez é uma reportagem sobre «o pequeno Saúl», que se «notabilizara» por cantar, em versão infantil, as ordinarices de Quim Barreiros, outro notável da Nação. A pobre criança foi afinal explorada pela família que o deixou na penúria (14 € na conta!) e ele lá continua, com um ar ordinareco mas honesto, a cantar as suas brejeirices que vão encantando plateias. Filmado junto das peixeiras da Fiqueira da Foz, ficou atestado no serviço noticioso, que era um rapaz trabalhador e merecedor de apreço.
Quase logo a seguir surge uma «reportagem profunda» sobre o terço que Cristiano Ronaldo usa sempre ao pescoço. E que é feito de plástico! Um modesto terço, feito numa fabriqueta familiar dos arredores de Fátima. Lá estavam todas as produtoras de terços, orgulhosas, fiéis e empreendedoras: estão até a pensar em começar a comercializar a Nossa Senhora com cores mais modernas...azul forte, cor-de-rosa...
Chega! Levanto-me da cadeira e vou verificar que não estava numa emissão da RTPMemória, mas sim da RTPMesmo.
Fátima, Futebol e Música Pimba: a «nova trilogia»? Conta-me como foi e já não é, por favor!
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