"Depois liga o rádio p'rá onda média
Ansiosamente remexe o botão
Em busca daquela força
Que às vezes vem numa canção
E se passarem a janis joplin
Fica acessa num repente
Põe-se a dançar em frente ao espelho
E sobe a saia acima do joelho
E vai cantando no quarto-de-banho
Aproveitando a ressonância
A vizinhança acha estranho
E até comenta a extravagância"
extracto de Balada da Fiandeira, letra de Carlos Tê, música de Rui Veloso
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Nos últimos dias dos Saldos
"Loja e mulher. O que Deus uniu, o homem não separa"
Georges Najjar Jr., Desaforismos
Georges Najjar Jr., Desaforismos
Etiquetas:
Palavras de Outros,
Palavras repetentes
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
No Ano da Biodiversidade
"A unanimidade me lembra uma revoada de patos"
Georges Najjar Jr., Desaforismos
Georges Najjar Jr., Desaforismos
domingo, 17 de janeiro de 2010
Separador de Tempos
Tenho saudades de ler nos transportes públicos, às vezes, sofregamente, entre paragens, quase «travando com os pés» o metro ou o comboio para poder ler, até ao fim, aquele capítulo, aquele parágrafo.
As viagens de transportes – entre a capital e os subúrbios - eram também uma espécie de separador entre o dia e a noite (ou a noite e o dia, claro), um espaço de reorganização que perdi quando me mudei para um mundo mais pequeno.
Ganhei muitas outras coisas – como chegar a casa rapidamente – melhor: vir a casa, num instantinho, entre tarefas diferentes, todas muito perto. Mas há sempre coisas que se perdem, quando ganhamos outras…
Por isso, este fim-de-semana, quando guardei a escova de dentes e o pijama no saco, quando corri o fecho, dei as voltas na chave da casa e fechei o porta-bagagens, havia uma certa excitação em tudo o que fazia.
Uma viagem – ainda por cima por caminhos conhecidos – ia proporcionar-me um espaço que há muito não tinha.
Foi um tempo importante de me relacionar com muitas ideias que por aqui vão pululando: organizar, relativizar, priorizar, acalmar pequenas ideias irrequietas que, por serem ainda muito jovens, não têm a calma de se colocar no seu lugar, saltitam constantemente, não deixando ver os prós e os contras, outras que de tão rejeitadas, ameaçam desistir, envoltas numa falta de auto-estima que não merecem…Ouvir as músicas inteiras, analisar as letras, algumas que calam cá fundo. Saber que estou presa na viagem, no cumprimento de um roteiro físico, mas que isso me dá tempo para me renovar interiormente: uma viagem é sempre um separador de dias, de tempos, uma quebra na rotina, um momento revigorante.
Sentimentos de culpa à parte, os livros fechados no apartamento, até ao meu regresso, um regresso que se quer renovado. Uma boa parte da ânsia de partir, prende-se com a vontade de chegar...diferente.
Acabou-se o fim-de-semana, separador de dias, de tempos, organizador de ideias e projectos no dossier colorido da vida.
As viagens de transportes – entre a capital e os subúrbios - eram também uma espécie de separador entre o dia e a noite (ou a noite e o dia, claro), um espaço de reorganização que perdi quando me mudei para um mundo mais pequeno.
Ganhei muitas outras coisas – como chegar a casa rapidamente – melhor: vir a casa, num instantinho, entre tarefas diferentes, todas muito perto. Mas há sempre coisas que se perdem, quando ganhamos outras…
Por isso, este fim-de-semana, quando guardei a escova de dentes e o pijama no saco, quando corri o fecho, dei as voltas na chave da casa e fechei o porta-bagagens, havia uma certa excitação em tudo o que fazia.
Uma viagem – ainda por cima por caminhos conhecidos – ia proporcionar-me um espaço que há muito não tinha.
Foi um tempo importante de me relacionar com muitas ideias que por aqui vão pululando: organizar, relativizar, priorizar, acalmar pequenas ideias irrequietas que, por serem ainda muito jovens, não têm a calma de se colocar no seu lugar, saltitam constantemente, não deixando ver os prós e os contras, outras que de tão rejeitadas, ameaçam desistir, envoltas numa falta de auto-estima que não merecem…Ouvir as músicas inteiras, analisar as letras, algumas que calam cá fundo. Saber que estou presa na viagem, no cumprimento de um roteiro físico, mas que isso me dá tempo para me renovar interiormente: uma viagem é sempre um separador de dias, de tempos, uma quebra na rotina, um momento revigorante.
Sentimentos de culpa à parte, os livros fechados no apartamento, até ao meu regresso, um regresso que se quer renovado. Uma boa parte da ânsia de partir, prende-se com a vontade de chegar...diferente.
Acabou-se o fim-de-semana, separador de dias, de tempos, organizador de ideias e projectos no dossier colorido da vida.
Etiquetas:
Palavras repetentes,
Partículas de Felicidade
Subscrever:
Mensagens (Atom)