"Não nasci no começo deste século:
Nasci no plano do eterno,
Nasci de mil vidas superpostas,
Nasci de mil ternuras desdobradas.
Vim para conhecer o mal e o bem
E para separar o mal do bem.
Vim para amar e ser desamado.
Vim para ignorar os grandes e consolar os pequenos.
Não vim para construir minha própria riqueza
Nem para destruir a riqueza dos outros.
Vim para reprimir o choro formidável
Que as gerações anteriores me transmitiram.
Vim para experimentar dúvidas e contradições.
Vim para sofrer as influências do tempo
E para afirmar o princípio eterno de onde vim.
Vim para distribuir inspiração às musas.
Vim para anunciar que a voz dos homens
Abafará a voz da sirene e da máquina,
E que a palavra essencial de Jesus Cristo
Dominará as palavras do patrão e do operário.
Vim para conhecer Deus meu criador, pouco a pouco,
Pois se O visse de repente, sem preparo, morreria."
Murilo Mendes (1901-1975)
Poeta brasileiro; morreu em Lisboa.
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
sábado, 12 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
humanidade
Mário Zambujal a propósito do seu novo livro, cuja acção se passa no futuro:
"Daqui a 35 anos, muitas coisas serão diferentes. Mas o que muda são os objectos. Os seres humanos continuam a ser os mesmos, com paixões, tropelias, triângulos amorosos...
(...)
Os adereços e os cenários hão-de mudar, mas as paixões serão semelhantes às do século XII, quando já havia encontros de amor - apenas não se marcavam por telemóvel."
Entrevista em Visão, nº 874, pp.130-138
(sempre digo aos meus alunos: com técnicas e tecnologias diferentes, com cenários muito diversos, o que faz nos faz bater o coração mais depressa - o que nos inquieta e nos aquieta também - tem sempre a mesma natureza, porque está de acordo com a nossa natureza humana. E essa não muda muito; com tudo o que esta constatação tem de maravilhoso e de terrível.)
"Daqui a 35 anos, muitas coisas serão diferentes. Mas o que muda são os objectos. Os seres humanos continuam a ser os mesmos, com paixões, tropelias, triângulos amorosos...
(...)
Os adereços e os cenários hão-de mudar, mas as paixões serão semelhantes às do século XII, quando já havia encontros de amor - apenas não se marcavam por telemóvel."
Entrevista em Visão, nº 874, pp.130-138
(sempre digo aos meus alunos: com técnicas e tecnologias diferentes, com cenários muito diversos, o que faz nos faz bater o coração mais depressa - o que nos inquieta e nos aquieta também - tem sempre a mesma natureza, porque está de acordo com a nossa natureza humana. E essa não muda muito; com tudo o que esta constatação tem de maravilhoso e de terrível.)
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Palavras de Outros,
Palavras repetentes
É Noite
"(...)
E toda a minha pobre humanidade
Se deseja aquecer à intimidade
Duma lareira de carinho brando..."
Miguel Torga, Visita
(versão integral no comentário gentilmente colocado ao post anterior)
E toda a minha pobre humanidade
Se deseja aquecer à intimidade
Duma lareira de carinho brando..."
Miguel Torga, Visita
(versão integral no comentário gentilmente colocado ao post anterior)
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Era incapaz de escrever num país com neve!
O Sol da manhã e a vontade do feriado recolocaram-me na rota da escrita.
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Partículas de Felicidade
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
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