"A escrita é a fixação gráfica do pensamento, da palavra, forma de linguagem silenciosa e solitária, arma imbatível da memória de povos e do ser humano contra o esquecimento. A escrita não exige a presença material dos participantes no acto da comunicação, que se estabelece à distância entre quem escreve e quem lê e se mantém através dos tempos, ignorando quaisquer limites temporais. À efemeridade da comunicação oral opõe a escrita a sua perdurabilidade intrínseca. Cada vez que alguém a lê, a palavra escrira, "ressuscita" aquele que a escreveu, no momento em que a escreveu (...)"
Maria Alice Vila Fabião, O Tempo e as Palavras, Revista Tempo Livre (Inatel), nº 209, Novembro de 2009
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
domingo, 22 de novembro de 2009
«Professor», definido por Jô Soares
"O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um "Adesivo".
Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com os outros professores, está "malhando" nos alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não se sabe impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala correctamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é retido, é perseguição.
O aluno é aprovado, deitou "água-benta".
É! O professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui,
agradeça a ele."
(Recebido por e-mail. Obrigada SG - quase apetece dizer Gigante...)
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um "Adesivo".
Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com os outros professores, está "malhando" nos alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não se sabe impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala correctamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é retido, é perseguição.
O aluno é aprovado, deitou "água-benta".
É! O professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui,
agradeça a ele."
(Recebido por e-mail. Obrigada SG - quase apetece dizer Gigante...)
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sábado, 21 de novembro de 2009
Escrevinhando-me assim
É curioso como nos contradizemos a nós mesmos nas nossas acções do quotidiano...
Hoje, ao ouvir a chuva que caía ritmada, depois do «caseiro pensamento» - "Bolas! Para que é que pus ontem a máquina a lavar? Não vou poder secar nada hoje... - pensei: "Credo! Será que eu vou conseguir sair com tanta chuva? Em casa é que eu não fico..."
De imediato, acusei-me de falta de coerência: "- Pois! Se fosse num dia de trabalho dirias: «Que chatice ter de ir trabalhar! Num dia como hoje o ideal era não sair de casa o dia todo!»"
Fiz uma careta a mim mesma e virei-me as costas, levantando-me da cama.
Alguma coisa se havia de arranjar: café, uma comprinha de supermercado, a pretexto de recolher a gatinha siamesa que lambia o pêlo cada vez mais molhado, toquei à porta da vizinha que ontem viu partir o companheiro de cerca de 50 anos e lá falámos um pouquinho, disfarçando as lágrimas o melhor que podíamos. A viuvez sempre me deixa assim: por me lembrar da minha mãe, da minha avó, de alguns amigos e amigas, da incompreensão da solidão que marca o fim de muitas vidas...da saudade-tristeza que enche os olhos de muitos dos nossos idosos, sem esperança.
Subir a escada, sacudir as gotas de chuva, despir a roupa molhada.
Enfiar-me naquelas calças de fato de treino antiquadas, com pêlo por dentro, que marcam o conforto até às pantufas, lembrando o tempo em que as casas não tinham ar condicionado, nem aquecimentos centrais...tínhamos frio no Inverno - essa era a principal marca da estação!
Olhar em volta: as gavetas a pedir arrumação, uma pilha de livros para decidir o destino, as publicações que chegaram pelo correio ainda envoltas em plástico...
"Está um dia bom para este tipo de coisas...- murmuro"
"Como se houvesse dias bons para estas chatices - resmungo - para as inutilidades que se dispensariam se tivéssemos o dom daquela feiticeira que realizava tudo só por torcer o nariz..."
Troço de mim mesma e das fantasias cinéfilas que me preenchem a vida.
E, sem dar por isso, refugio-me na imagem de um escritor sentado numa poltrona vitoriana, soltando baforadas de fumo do seu cachimbo, que coincidem com os laivos de inspiração que alinha no papel branco, sem linhas, numa letra miudinha e certa, impecável...prenúncio de um bom romance.
De repente sou um Shakespeare ou um Sherlock Holmes ou um Sh qualquer, prefixo de genialidade com sotaque britânico...
Por fim concluo que o trabalho não se fará sozinho e, com fantasias literárias ou não, estou condenada a passar o sábado a trabalhar, ao som da chuva, na minha cela decorada a gosto, sentindo o aconchego da roupa de Inverno e o cheiro da erva-doce a anunciar que as castanhas estão cozidas.
Hoje, ao ouvir a chuva que caía ritmada, depois do «caseiro pensamento» - "Bolas! Para que é que pus ontem a máquina a lavar? Não vou poder secar nada hoje... - pensei: "Credo! Será que eu vou conseguir sair com tanta chuva? Em casa é que eu não fico..."
De imediato, acusei-me de falta de coerência: "- Pois! Se fosse num dia de trabalho dirias: «Que chatice ter de ir trabalhar! Num dia como hoje o ideal era não sair de casa o dia todo!»"
Fiz uma careta a mim mesma e virei-me as costas, levantando-me da cama.
Alguma coisa se havia de arranjar: café, uma comprinha de supermercado, a pretexto de recolher a gatinha siamesa que lambia o pêlo cada vez mais molhado, toquei à porta da vizinha que ontem viu partir o companheiro de cerca de 50 anos e lá falámos um pouquinho, disfarçando as lágrimas o melhor que podíamos. A viuvez sempre me deixa assim: por me lembrar da minha mãe, da minha avó, de alguns amigos e amigas, da incompreensão da solidão que marca o fim de muitas vidas...da saudade-tristeza que enche os olhos de muitos dos nossos idosos, sem esperança.
Subir a escada, sacudir as gotas de chuva, despir a roupa molhada.
Enfiar-me naquelas calças de fato de treino antiquadas, com pêlo por dentro, que marcam o conforto até às pantufas, lembrando o tempo em que as casas não tinham ar condicionado, nem aquecimentos centrais...tínhamos frio no Inverno - essa era a principal marca da estação!
Olhar em volta: as gavetas a pedir arrumação, uma pilha de livros para decidir o destino, as publicações que chegaram pelo correio ainda envoltas em plástico...
"Está um dia bom para este tipo de coisas...- murmuro"
"Como se houvesse dias bons para estas chatices - resmungo - para as inutilidades que se dispensariam se tivéssemos o dom daquela feiticeira que realizava tudo só por torcer o nariz..."
Troço de mim mesma e das fantasias cinéfilas que me preenchem a vida.
E, sem dar por isso, refugio-me na imagem de um escritor sentado numa poltrona vitoriana, soltando baforadas de fumo do seu cachimbo, que coincidem com os laivos de inspiração que alinha no papel branco, sem linhas, numa letra miudinha e certa, impecável...prenúncio de um bom romance.
De repente sou um Shakespeare ou um Sherlock Holmes ou um Sh qualquer, prefixo de genialidade com sotaque britânico...
Por fim concluo que o trabalho não se fará sozinho e, com fantasias literárias ou não, estou condenada a passar o sábado a trabalhar, ao som da chuva, na minha cela decorada a gosto, sentindo o aconchego da roupa de Inverno e o cheiro da erva-doce a anunciar que as castanhas estão cozidas.
Integração
De manhã, participei num funeral;
à noite estive numa festa de aniversário.
Não tive dúvidas que pertenço, de facto, a esta comunidade.
à noite estive numa festa de aniversário.
Não tive dúvidas que pertenço, de facto, a esta comunidade.
E
lá foi vencida mais uma etapa da minha empreitada!
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
Precisa de um serviço que não falha?...
ao CENTRO NOVAS OPORTUNIDADES da respectiva área de residência
e adquirir novas competências.
Saiba como terminar este feitiço!
(Créditos fotográficos: A foto foi tirada pela P.P., as perninhas são da M. O uso da foto foi devidamente autorizado por todos, menos pelo sapo, que já não consegui encontrar, talvez porque tenha sido engolido num dos últimos actos eleitorais...)
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