Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
domingo, 25 de outubro de 2009
Lembra-me um Sonho Lindo
"Lembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado
Estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira num peito um grito,
à desfilada
Canta rouxinol canta
não me dês penas,
cresce girassol cresce
entre açucenas
Afoga-me o corpo todo
se te pertenço,
rasga-me o vento ardendo
em fumos de incenso
Lembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado
Estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira num peito um grito,
à desfilada
Ai como eu te quero,
ai de madrugada,
ai alma da terra,
ai linda, assim deitada
Ai como eu te amo,
ai tão sossegada,
ai beijo-te o corpo,
ai seara, tão desejada"
Fausto, Por Este Rio Acima
Porque é que o Fausto, que eu conheci sempre só como tal, agora aparece anunciado nos concertos como Fausto Bordalo Dias? Será nome de casado?:-)
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado
Estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira num peito um grito,
à desfilada
Canta rouxinol canta
não me dês penas,
cresce girassol cresce
entre açucenas
Afoga-me o corpo todo
se te pertenço,
rasga-me o vento ardendo
em fumos de incenso
Lembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado
Estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira num peito um grito,
à desfilada
Ai como eu te quero,
ai de madrugada,
ai alma da terra,
ai linda, assim deitada
Ai como eu te amo,
ai tão sossegada,
ai beijo-te o corpo,
ai seara, tão desejada"
Fausto, Por Este Rio Acima
Porque é que o Fausto, que eu conheci sempre só como tal, agora aparece anunciado nos concertos como Fausto Bordalo Dias? Será nome de casado?:-)
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sábado, 24 de outubro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Marcas de um Dia Hospitalar
- o furinho da injecção na veia do braço esquerdo, mas essa vai passar depressa
- as imagens das caras com que olhávamos uns para os outros, na sala de espera, na esperança de que ficássemos de fora das estatísticas...se x em cada y pessoas têm doenças graves, será que podemos sentir pena do x porque estamos no y?...
Uma sala de espera - de longa espera - é sobretudo uma sala de pânico.
As boas vindas de quem está sentado são acompanhadas de um olhar prescrutador, interrogativo, apiedado:
Porque estará aqui? Qual a sua doença? Tem cara de quem está mal...Coitada...ainda é nova.
É também uma sala dada a considerações filosóficas...sobre o relativismo da vida: "Porque passamos tudo isto, por causa das doenças e, afinal...quem pode dizer que está bem? A semana passada duas amigas minhas, vinham do trabalho, despistaram-se...zás! esborracharam-se debaixo de um camião!"
Consternação geral. Acenos afirmativos. "A vida não vale nada"; "Estamos nas mãos de Deus..."
E eu tento ignorar. Abro uma revista feminina, cheia de promessas de juventude eterna - apaga as rugas, chupa a gordura, resolve os problemas de pernas pesadas, faz desaparecer as olheiras...
Mas chega uma idosa com dificuldades de locomoção. Discretamente levanto os olhos...e tenho pena. Lamento, lamento pelas dores daquela mulher que ainda estão longe para mim. E sinto-me com sorte por ser muito mais nova...Até encarar os olhos dela, com pena, e sentindo-se com sorte, porquie ela, ela é velha, mas quando era nova não estava numa sala de médico, de exames de diagnóstico. Não, quando ela era nova nem pensava em doenças, e eu, com idade para ser filha dela...
Não suporto a pena que povoa aquela sala. A pena que sustenta o medo, o medo de sermos nós o alvo da pena dos outros.
E lembro-me, com pena e saudade, de uma amiga que deveria ter feito anos hoje...
- as imagens das caras com que olhávamos uns para os outros, na sala de espera, na esperança de que ficássemos de fora das estatísticas...se x em cada y pessoas têm doenças graves, será que podemos sentir pena do x porque estamos no y?...
Uma sala de espera - de longa espera - é sobretudo uma sala de pânico.
As boas vindas de quem está sentado são acompanhadas de um olhar prescrutador, interrogativo, apiedado:
Porque estará aqui? Qual a sua doença? Tem cara de quem está mal...Coitada...ainda é nova.
É também uma sala dada a considerações filosóficas...sobre o relativismo da vida: "Porque passamos tudo isto, por causa das doenças e, afinal...quem pode dizer que está bem? A semana passada duas amigas minhas, vinham do trabalho, despistaram-se...zás! esborracharam-se debaixo de um camião!"
Consternação geral. Acenos afirmativos. "A vida não vale nada"; "Estamos nas mãos de Deus..."
E eu tento ignorar. Abro uma revista feminina, cheia de promessas de juventude eterna - apaga as rugas, chupa a gordura, resolve os problemas de pernas pesadas, faz desaparecer as olheiras...
Mas chega uma idosa com dificuldades de locomoção. Discretamente levanto os olhos...e tenho pena. Lamento, lamento pelas dores daquela mulher que ainda estão longe para mim. E sinto-me com sorte por ser muito mais nova...Até encarar os olhos dela, com pena, e sentindo-se com sorte, porquie ela, ela é velha, mas quando era nova não estava numa sala de médico, de exames de diagnóstico. Não, quando ela era nova nem pensava em doenças, e eu, com idade para ser filha dela...
Não suporto a pena que povoa aquela sala. A pena que sustenta o medo, o medo de sermos nós o alvo da pena dos outros.
E lembro-me, com pena e saudade, de uma amiga que deveria ter feito anos hoje...
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Palavras Doridas,
Palavras repetentes
Ela e Ele
"Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu pensar em você
Isso me acalma, me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver"
I Love You, Marisa Monte
"Tive sim... outro grande amor antes do teu, tive sim.
(...)
Tive sim, mas comparar com teu amor seria o fim...
E vou calar, pois não pretendo amor te magoar."
Tive Sim, letra de Cartola, cantada por Ney Matogrosso
Deixa eu pensar em você
Isso me acalma, me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver"
I Love You, Marisa Monte
"Tive sim... outro grande amor antes do teu, tive sim.
(...)
Tive sim, mas comparar com teu amor seria o fim...
E vou calar, pois não pretendo amor te magoar."
Tive Sim, letra de Cartola, cantada por Ney Matogrosso
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
A Fama que vem de longe
" (...)
Morra o Dantas, morra! Pim!
Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mas atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!
Morra o Dantas, morra! Pim!"
Manifesto Anti-Dantas, José de Almada Negreiros, Poeta d'Orpheu, Futurista e Tudo! 1915
http://triplov.com/almada_negreiros/anti_dantas.htm
(Para ouvir na inigualável interpretação de Mário Viegas de todo o Manifesto)
Morra o Dantas, morra! Pim!
Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mas atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!
Morra o Dantas, morra! Pim!"
Manifesto Anti-Dantas, José de Almada Negreiros, Poeta d'Orpheu, Futurista e Tudo! 1915
http://triplov.com/almada_negreiros/anti_dantas.htm
(Para ouvir na inigualável interpretação de Mário Viegas de todo o Manifesto)
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