Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Desabafo
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Linguagens
- Faça favor de perguntar colega! É assim mesmo; eu também cheguei um dia a uma escola. A esta escola. Já lá vai tanto tempo...temos de ser uns p'rós outros.
- Obrigada. Então, o que eu queria perguntar, é se cá na escola, os quadros já são todos smartboards?
- Temos de todos. Pode servir-se dos smartboards ou dos stupidboards, os que gostar mais.
- Ah, muito obrigada.
- Ora essa!"
Novas Competências
Porque eu tento...mas não consigo.
Como, frequentemente, quando tento ver debates políticos à noite adormeço, tentei aproveitar agora, o noticiário da hora de almoço, para tentar dominar esta vontade de me alhear e para ouvir de facto o que eles dizem.
Acho que era um extracto de um debate que aconteceu ontem, entre aqueles comentadores que falam dos políticos, mas são eles próprios também políticos.
E, de repente, tive uma revelação! Eu não sabia quem é que o Pacheco Pereira me fazia lembrar...e foi hoje, enquanto o meu espírito se recusava a ouvir o que eles diziam que eu vi, vi mesmo: Pacheco Pereira é igual a um kuala. Tal e qual!
Não é uma crítica (os kualas são tão simpáticos, nunca diriam o que o Pacheco Pereira diz) é uma constatação.
E, sobretudo, é a constatação de que o meu espírito não me obedece, quando sabe que tem razão; e encontra alternativas.
Se tinha que olhar para eles concentrou-se (ou concentrei-me, porque afinal estou a falar de mim, não é?) em aspectos mais apelativos, igualmente inúteis, mas apelativos - encontrar semelhanças entre os políticos e o reino animal. Esperemos que não ofenda nenhum bicho!
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
A História
Georges Duby, Ano 1000, Ano 2000: No Rasto dos Nossos Medos
Atenção, Sr. Primeiro-Ministro!
Uma das vantagens da «sociedade de informação» é que ela fica disponível para mais tarde ser consultada e que, um tempinho depois (por exemplo, no dia seguinte) a podemos receber em versão compacta, descodificada, comentada, contestada, aplaudida, etc, etc, e evitámos a estopada de estar a aturar a versão integral a tentar descobrir-lhe um sentido. Até porque, frequentemente, esta tarefa é difícil, penosa e desmotivante, ao descobrirmos que o sentido é sempre o mesmo e raramente é nosso.
Foi assim que eu hoje acordei com os «ecos» da entrevista, contados em versão resumida pelo jornalista da RFM.Confirmei as palavras exactas no site da RTP.
Retive então que o Primeiro-Ministro reconheceu que a relação com os professores teve alguns problemas (já revela clarividência e modéstia da parte dele!) mas que se encontra "muito disponível para restaurar uma relação delicada e atenta a todos os problemas dos professores".
Ficamos então à espera da Restauração, sr. Primeiro-Ministro. Mas queria só avisar que a verdadeira Restauração - aquela que ainda comemoramos todos os anos - implicou uma mudança de dinastia.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Quando é que eu me vou habituar a viver no mundo dos adultos?
Com muitos sorrisos, muita festa, muita algazarra.
E as primeiras reuniões de trabalho.
Mas foi um dia estranho.
Cheio de emoções contraditórias.
Se a sinceridade dos cumprimentos de alguns me deixou verdadeiramente emocionada, outros houve, em que eu quase juraria ouvir o sibilar da serpente.
E não consigo evitar um arrepio. E é muito violento para mim, manter-me firme, afivelar um sorriso de plástico, retribuir entre-dentes o cumprimento e resistir ao impulso gaiato de fugir, de me refugiar num canto da sala e ainda gritar, depois de me sentir protegida: «Não gosto de ti!»,
como uma criança.
Com quando ainda não tinha percebido que a hipocrisia às vezes é precisa, sobretudo como reacção aos hipócritas com quem convivemos.
Parece que alguns, consideram mesmo, que a hipocrisia faz parte das regras da civilização. E já não é de agora! Muito, muito antes do «politicamente correcto».
Vejamos:
"Existem infinitamente mais homens que aceitam a civilização como hipócritas do que homens verdadeiramente e realmente civilizados, e é lícito até perguntarmo-nos se um certo grau de hipocrisia não será necessário à manutenção e à conservação da civilização, dado o reduzido número de homens nos quais a tendência para a vida civilizada se tornou uma propriedade orgânica."
Sigmund Freud, in As Palavras de Freud
E mulheres, então...
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Ontem: Amália Hoje em Alcobaça
O Mosteiro medieval, encarava o rosto de Amália original, tudo formando a moldura da reinvenção do fado pelos ritmos pop dos «Amália Hoje».

Sónia Tavares no seu melhor
Uma voz capaz de fazer vibrar as pedras do Mosteiro!
Uma emoção de menina, acolhida no colo da terra que a viu crescer, quando dizia «Obrigada» e a covinha na bochecha iluminava o rosto desta nova Amália.
E o público dançoue cantou
e vibrou;
houve até quem deixasse
(mas não me vou acusar)
25000pessoas estima o jornal
«Um mar de gente»,
sem dúvida.
Passado... Presente... Futuro...
Será que há mesmo uma divisão?
Eles não existiriam uns sem os outros
No presente
Para os presentes
Que sentiram que o tempo não existia....ali, naqueles momentos mágicos.
Obrigada, obrigada, obrigada!

