domingo, 12 de julho de 2009

Quando nos parece (re)conhecermos quem escreveu a letra de uma canção...

"Aqui estou eu,
Sou uma folha de papel vazia.
Pequenas coisas,
Pequenos pontos,
Vão-me mostrando o caminho.

Às vezes aqui faz frio.
Às vezes eu fico imóvel,
Pairando no Vazio.
As vezes aqui faz frio.

Sei que me esperas,
Não sei se vou lá chegar;
Tenho coisas p'ra fazer,
Tenho vidas para acompanhar.

Às vezes lá faz mais frio.
Às vezes eu fico imóvel,
Pairando no vazio.
No perfeito vazio,
Às vezes lá faz mais frio.

(lá fora faz tanto frio)

Bem-vindos a minha casa,
Ao meu lar mais profundo,
De onde saio por vezes
Para conquistar o mundo.

Às vezes tu tens mais frio.
Às vezes eu fico imóvel,
Pairando no vazio,
No perfeito vazio.
Às vezes lá faz mais frio,
No teu peito vazio..."


Perfeito Vazio, Xutos e Pontapés

Recordando uma Amiga que partiu

"A coisa mais dura que há é não se ser capaz de fazer milagres por um amigo."

Maya V. Patel

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Ontem ofereceram-me um poema...que me fica tão bem!

"(...)
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
E tornar-se um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
Mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da própria alma.
(...)
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia construirei um castelo..."

Fernando Pessoa

Servir bem e bem servir...tornou-se um lema obsoleto?

Entrámos na sapataria que nos tinha sido indicada pelo dono numa feira promocional. O senhor tinha-me garantido uns sapatos confortáveis, depois de eu me ter queixado das minhas dificuldades em encontrar calçado adequado. Tinha até fornecido um catálogo, para escolhermos com calma, os modelos - um verdadeiro vendedor!
Vinte e tal Km depois encontrámos a sapataria. Quem lá estava dentro era uma jovem, com um top demasiado curto e uma banhita inestética de fora.
- Tem sapatos da Stonefly?
- Não...não...
- Estão atrás de si!
- Ah! Estes...pois, temos. - disse olhando para a prateleira que promovia a marca, com um grande anúncio, como se não soubesse que eles estavam ali.
A conversa já não começava bem... Esforço para vender: nenhum.
A minha sorte - ou a dela - era que eu estava mesmo decidida a comprar os sapatos.
Experimentar modelos...tem o número acima?...Obrigada. Pode fazer mais um furo na tira da sandália? Ah! Que bom...
Desiludidas, explicámos que o dono da loja nos tinha garantido mais variedade de modelos.
- Bem, ele não é o dono... - empertigou-se a pequena, revelando animosidade em relação ao homem que nos tinha interessado na loja, a ponto de fazermos uma deslocação propositada para a conhecermos.
Depois de muita insistência ela disse que ia telefonar a outra colega.
- Estou? Olá, sou eu! Sabes aqueles sapatos da cetonfli? (está explicado porque é que ela não conhecia a stonefly, o inglês dela era técnico.) - Imagina tu que o ...disse a umas senhoras que tínhamos os modelos todos do catálogo. Incrível, não é? - o seu semblante transparecia genuína indignação; até a banhita tremelicava com outro ritmo - Pois, não temos mesmo, não é? Tenho uma coisa para te contar...fica para depois...talvez...Fui multada porque tinha bebido um bocadinho. Oh, pá! Tanta gente aí a beber tanto e...pois...vê lá.
A conversa continuou por mais um tempo, enquanto procurávamos sozinhas mais motivos que justificassem a nossa deslocação de tão longe.
Por fim desligou. - Pois não temos. Eu logo vi.
- Bem, depois diga ao seu colega que viemos de propósito...
- Ah, pode crer! Pena serem de longe senão vinham cá quando ele cá estivesse!
O que me impressionou mesmo foi o olhar de triunfo da adolescentezeca, de poder repreender o colega, que tinha estado a trabalhar à noite numa feira e conseguira interessar novas clientes para a loja. Ele que se acautelasse! Aposto que ela própria lhe daria uma reprimenda! Falar dos sapatos da cetonfli, ainda por cima com sotaque de filme!...
Ela, certamente, vai pô-lo na ordem!

domingo, 5 de julho de 2009

Domingo



“…
O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,

mas o gato quer ser só gato
e todo gato é gato do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.
…”
Pablo Neruda, Ode ao Gato
Colhido em O Reino d’almofada: de tudo um pouco, com gato no meio

Desequilíbrios

"Roer as unhas não é considerado um desequilíbrio emocional grave.
A menos que sejam as dos pés...ou que não sejam as suas"

"Teimoso é aquele que prefere meter os pés pelas mãos a dar o braço a torcer"

"Santo é o ateu que reza pelas outras pessoas"

Georges Najjar Jr., Desaforismos

Quem me leva os meus fantasmas?

"Aquele era o tempo
Em que as sombras se abriam,
Em que homens negavam
O que outros erguiam.
E eu bebia da vida em goles pequenos,
Tropeçava no riso, abraçava venenos.
De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala
Nem a falha no muro.
E alguém me gritava
Com voz de profeta
Que o caminho se faz
Entre o alvo e a seta.

Quem leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
Quem me diz onde é a estrada?
Quem leva os meus fantasmas?
Quem leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
E me diz onde e a estrada"


Pedro Abrunhosa, Quem me leva os meus fantasmas?, Album: Luz