Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Devia, mas não cumpro
Sinto que devia, seria adequado e coerente comigo...
Mas a única coisa em que consigo verdadeiramente pensar é na mala meia feita que está aberta sobre a cama, nos acessórios que ainda me falta reunir, no despertador amanhã de manhã a anteceder a viagem...no fim de semana grande, com turismo rural, paisagens e passarinhos e nos livros todos que proibi de me acompanhar, mais os blocos de notas, as fichas de leitura e os computadores: acompanhem-se uns aos outros, empanturrem-se de sabedoria, que eu, eu vou descansar, passear, rir e fotografar...beber o ar e a vida a golos grandes, que este tempo lisinho me apetece tanto.
Sei que devia falar do 1º de Maio, mas tenho de terminar de fazer a mala e não me importo.
Para não me sentir muito atraiçoada por mim mesma coloquei duas canções relativas ao 1º de Maio (pelo menos nas minhas recordações) no outro blog meu.
Bom Fim de Semana!
Um dia vou inventar
Assim uma espécie de Fairy para todos nós, estão a ver?
Só ainda não pensei no nome.
Mas aceitam-se sugestões.
Vamos andando...é o mais seguro e não atrai as atenções
"Pára de chorar
E dizer que nunca mais vais ser feliz
Não há ninguém a conspirar
Para fazer destinos negros de raiz
Pára de chorar
Não ligues a quem diz
Que há nos astros o poder
De marcar alguém só por prazer
Por isso pára de chorar
Carrega no batom
Abusa do verniz
Põe os pontos nos Is
Nem Deus tem o dom
De escolher quem vai ser feliz
Pára de sorrir
E exibir a tua felicidade
Só por leviandade
Se pode sorrir assim
Num estado de graça que até ofende quem passa
Como se não haja queda
No Universo
E a vida seja moeda sem reverso
Por isso pára de sorrir
Não abuses dessa hora
Ela pode atrair
O ciúme e a inveja
Tu não perdes pela demora
E a seguir tudo se evapora"
Rui Veloso/Carlos Tê, Canção de Alterne, A Espuma das Canções (2005)
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Choque dermatológico
- Tecnológico. – corrigiu Alda benevolente
- Não! – retorquiu Teresa impaciente – Dermatológico, dermatológico!
Alda pousou o livro – E isso é?...
- Lembraste daquele estagiário fantástico de que te falei?
- Hum – assentiu Alda
- Hoje deixei cair uns papéis ao pé dele. (Não foi de propósito, mas poderia ter sido, mas não foi). E ele ajudou-me a apanha-los…e as nossas mãos tocaram-se…Foi um choque dermatológico! Fiquei toda arrepiada…
- E depois?
- Ah!... Ainda não houve depois... Mas eu espero que depois haja!"
terça-feira, 28 de abril de 2009
Milk
Grande filme.
Grande interpretação de Sean Penn.
Grande impacto pensar que tudo aquilo aconteceu há tão pouco tempo!
Porque teve de correr sangue por algo que estava inscrito nas Constituições, na Declaração dos Direitos Humanos, na Declaração de Independência dos EUA (como o próprio Milk diz num discurso), nos princípios do Cristianismo (e provavelmente das outras religiões, que conheço menos)?
Porque tem a sociedade tanta necessidade de afastar, sufocar e esmagar o que considera diferente?
Pensei muito desde o fim do filme. Nos preconceitos em geral. Na doutrina do «politicamente correcto» que, por vezes, não faz mais do que tratar com condescendência aqueles que a sociedade considera «diferentes», seja por que motivos for...minoritários, em relação a - seja lá o que isso for - uma maioria mais ou menos padronizada ou normalizada.
Igualdade de direitos! Será que assimilámos de facto este princípio, ou ficamos mais ou menos descansados por ele estar em letra de lei e limitamo-nos a não pensar muito no assunto?
Lembrei-me de uma frase de Voltaire, filósofo iluminista, que creio que, de facto, exprime o que eu acho que deve ser a nossa atitude perante todos os outros (com os quais frequentemente não concordamos e creio que não devemos fingir que concordamos):
"Posso não concordar com nenhuma das palavras que dizes,
mas estou disposto a morrer pelo teu direito a exprimi-las."
Voltaire (1694-1778)
Voltaire morreu 200 anos antes de Harvey Milk ter sido assassinado por estar a conquistar o direito a expressar as suas ideias!
Paciência de Santo...
A canonização aconteceu no domingo passado, 578 anos após a sua morte.
O que me espanta é que, tanto tempo depois, ele ainda estivesse interessado no cargo...
domingo, 26 de abril de 2009
Isto não está a correr bem
Coisas sobre mim...patati...patatá...tenho o meu número de telemóvel desde os 8 anos.
E eu - Que disparate! Ninguém tinha telemóvel aos 8 anos!
E eu também - Hello! Já há gente que sabe escrever e tem telemóvel desde os 8 anos.
E eu outra vez - Achas que 'tou velha?
E eu ainda acenei afirmativamente.
E ficámos todas deprimidas.