cantar tão bem e com uma voz tão sensual!
"Quem me diz
onde estão
os teus braços
e os meus passos para onde vão"
Paulo Gonzo, Diz-me Tu, 2009
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
domingo, 26 de abril de 2009
sábado, 25 de abril de 2009
25 de Abril sempre!
O meu pai viveu sempre em ditadura. Nasceu em 1932 e morreu em 1972.
Claro que ele devia ter vivido mais, mas a ditadura deveria ter durado menos.
Eu gostaria de viver sempre em liberdade, em democracia, em consequência do 25 de Abril, sempre!
Eu vivi o 25 de Abril! Aí está uma coisa que conto com orgulho, embora eu não tenha feito nada para isso; e não tenha percebido, na altura, a dimensão que aquilo tinha. Não podia perceber, não tinha idade para perceber.
Mas guardo nos meus olhos de criança imagens fantásticas, emocionantes, mesmo que não percebidas totalmente na altura: Guardo as imagens da alegria das pessoas; guardo a vivência do conceito de fraternidade – as pessoas sentiam que pertenciam umas às outras, que comungavam de algo especial; guardo as imagens de milhares de cravos vermelhos e de bandeiras nacionais e de orgulho nacional; guardo o som da palavra liberdade dita «à boca cheia», com vida, com orgulho; guardo as imagens da saída dos presos políticos de Caxias; guardo as imagens de mulheres idosas (sim, sobretudo das mulheres), vestidas como se fossem para a mais selecta cerimónia, para votar, para participar na democracia; guardo as imagens das imensas filas às portas das mesas de voto nas primeiras eleições; guardo as lágrimas de minha mãe, por o meu pai não ter podido participar em nada do que estava a acontecer…
Em memória dessas mulheres idosas, que certamente hoje já morreram e nunca souberam a influência que tiveram sobre mim, em memória do meu pai, que nunca conheceu a liberdade, em memória de todos os que resistiram à ditadura (e também daqueles que a ela sucumbiram), é preciso não esquecer o que foi Abril, o que significam as palavras Revolução, Liberdade, Fraternidade, Democracia, Luta, Resistência, Participação, Responsabilidade, País, Povo…É preciso recordar as estrofes da Revolução, é preciso recordar tudo o que foi preciso sofrer para que hoje possamos escrever, ler e dizer, o que pensamos, sem medo.
Mas é preciso não esquecer! Porque o esquecimento e a desistência são as mais perigosas portas abertas à prepotência.
É preciso não esquecer, sobretudo agora, em tempo de eleições, em que as imagens das imensas filas de eleitores foram substituídas pelos números da abstenção.
Para que possamos dizer «25 de Abril, sempre!», para que o 25 de Abril não fique, um dia, apenas guardado nos meus olhos de criança.
Claro que ele devia ter vivido mais, mas a ditadura deveria ter durado menos.
Eu gostaria de viver sempre em liberdade, em democracia, em consequência do 25 de Abril, sempre!
Eu vivi o 25 de Abril! Aí está uma coisa que conto com orgulho, embora eu não tenha feito nada para isso; e não tenha percebido, na altura, a dimensão que aquilo tinha. Não podia perceber, não tinha idade para perceber.
Mas guardo nos meus olhos de criança imagens fantásticas, emocionantes, mesmo que não percebidas totalmente na altura: Guardo as imagens da alegria das pessoas; guardo a vivência do conceito de fraternidade – as pessoas sentiam que pertenciam umas às outras, que comungavam de algo especial; guardo as imagens de milhares de cravos vermelhos e de bandeiras nacionais e de orgulho nacional; guardo o som da palavra liberdade dita «à boca cheia», com vida, com orgulho; guardo as imagens da saída dos presos políticos de Caxias; guardo as imagens de mulheres idosas (sim, sobretudo das mulheres), vestidas como se fossem para a mais selecta cerimónia, para votar, para participar na democracia; guardo as imagens das imensas filas às portas das mesas de voto nas primeiras eleições; guardo as lágrimas de minha mãe, por o meu pai não ter podido participar em nada do que estava a acontecer…
Em memória dessas mulheres idosas, que certamente hoje já morreram e nunca souberam a influência que tiveram sobre mim, em memória do meu pai, que nunca conheceu a liberdade, em memória de todos os que resistiram à ditadura (e também daqueles que a ela sucumbiram), é preciso não esquecer o que foi Abril, o que significam as palavras Revolução, Liberdade, Fraternidade, Democracia, Luta, Resistência, Participação, Responsabilidade, País, Povo…É preciso recordar as estrofes da Revolução, é preciso recordar tudo o que foi preciso sofrer para que hoje possamos escrever, ler e dizer, o que pensamos, sem medo.
Mas é preciso não esquecer! Porque o esquecimento e a desistência são as mais perigosas portas abertas à prepotência.
É preciso não esquecer, sobretudo agora, em tempo de eleições, em que as imagens das imensas filas de eleitores foram substituídas pelos números da abstenção.
Para que possamos dizer «25 de Abril, sempre!», para que o 25 de Abril não fique, um dia, apenas guardado nos meus olhos de criança.
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quinta-feira, 23 de abril de 2009
Tentar ser melhor...
"Errar não é bom, mas descobrir que errámos é admirável. Perceber que fizemos uma coisa mal é ter oportunidade de refazer, de emendar, de melhorar, de ser melhor. E esse é um dos objectivos da vida. Ser sempre melhor, mesmo que à custa dos erros, dos nossos erros. (...)
Descobrir um erro, um erro nosso, um defeito camuflado, é um caminho para tentar, pelo menos, ser melhor!"
Oliveira, Ana Margarida e Cannas, Joaquim, Admirável Mundo, Texto Editora/RFM, 2004, p. 55
Descobrir um erro, um erro nosso, um defeito camuflado, é um caminho para tentar, pelo menos, ser melhor!"
Oliveira, Ana Margarida e Cannas, Joaquim, Admirável Mundo, Texto Editora/RFM, 2004, p. 55
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Palavras de Outros,
Palavras Sábias
Voluntarismo
"A culpa é da vontade
que vive dentro de mim
e só morre com a idade
com a idade do meu fim
A culpa é da vontade
A culpa não, não é do mar,
se o meu olhar se perder.
A culpa é da vontade
que eu tenho de te ver."
A Culpa é da Vontade, António Variações, Humanos
que vive dentro de mim
e só morre com a idade
com a idade do meu fim
A culpa é da vontade
A culpa não, não é do mar,
se o meu olhar se perder.
A culpa é da vontade
que eu tenho de te ver."
A Culpa é da Vontade, António Variações, Humanos
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Divã
"Sofá-cama que não sai do psicanalista devido aos problemas de dupla identidade"
Georges Najjar Jr., Desaforismos, p.30
Georges Najjar Jr., Desaforismos, p.30
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Dilema
Ontem à noite tive de ponderar entre ficar em casa a ver a grande entrevista com o Primeiro-Ministro e participar numa aula de Yoga...
Medo
"Não sei o que me diz o coração
Na sombra fugidia do futuro
Quem sabe se é do primeiro clarão
Nascermos todos com medo do escuro"
Medo do escuro (com o sol no parapeito), João Monge/Manuel Paulo
Ala dos Namorados, Cristal, 2000
Na sombra fugidia do futuro
Quem sabe se é do primeiro clarão
Nascermos todos com medo do escuro"
Medo do escuro (com o sol no parapeito), João Monge/Manuel Paulo
Ala dos Namorados, Cristal, 2000
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