“Ela chegou afogueada, com os olhos brilhantes.
- Disseste para eu vir bonita. Que tinhas uma coisa para me dar…
Ele conduziu-a suavemente pela sala até à varanda.
- Queria mostrar-te a lua: Olha!
- Tão linda! Parece uma moeda enorme suspensa no céu…
Ali ficaram, de dedos entrelaçados, a olhar a lua, a saborear aquele sentimento que os unia.
Ali ficaram, alheios às trocas de peluches, bombons, flores e jóias, coisas tão vulgares que podem ser compradas em lojas.”
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
sábado, 14 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Amizade para o Inverno
"Um amigo é alguém que, quando estamos com gripe, aparece com um saco de laranjas, o livro policial que queríamos ler e um ramo de flores.
Põe as flores numa jarra, faz-nos uma bebida quente, lava a loiça e vai-se embora"
Pam Brown
Põe as flores numa jarra, faz-nos uma bebida quente, lava a loiça e vai-se embora"
Pam Brown
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Homenagem à Má Língua
"A língua de uma mulher é a sua espada: ela evita deixá-la enferrujar"
Provérbio Chinês
(Eu mereço esta...)
Provérbio Chinês
(Eu mereço esta...)
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Palavras de Outros,
Palavras Sábias
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Síndrome de Rei Mago
No meu messenger, hoje, havia umas pessoas com umas estrelinhas. Intrigada, resolvi ir ver o que era. Carreguei com a seta na estrelinha e "viajei" até ao perfil das pessoas e ao que parece adicionei-me não sei a quê.
Na realidade, não percebi muito bem o que aconteceu. Estou para ver o que isto dá!...
Creio que fui acometida por um certo sindrome de Rei Mago que resolveu seguir a estrela.
Claro que hoje se evita a caminhada dos camelos e o transtorno da ausência.
Se fosse hoje, os Reis Magos tinham visitado virtualmente a gruta, adicionavam-se ao perfil do Menino e trocavam postais pela net.
No futuro não vai dar trabalho nenhum fazer reconstituições dos encontros que hoje protagonizamos. Não haverá crianças ao frio, nem burros a zurrar desesperados. Tudo quentinho a olhar para os écrans e a ver como era a vida no início do século XXI.
E daqui a uns tempos ninguém vai perceber textos deste tipo (partindo do princípio que agora alguém os percebe). Serão textos cativos num tempo só acessível a historiadores e curiosos.
Na realidade, não percebi muito bem o que aconteceu. Estou para ver o que isto dá!...
Creio que fui acometida por um certo sindrome de Rei Mago que resolveu seguir a estrela.
Claro que hoje se evita a caminhada dos camelos e o transtorno da ausência.
Se fosse hoje, os Reis Magos tinham visitado virtualmente a gruta, adicionavam-se ao perfil do Menino e trocavam postais pela net.
No futuro não vai dar trabalho nenhum fazer reconstituições dos encontros que hoje protagonizamos. Não haverá crianças ao frio, nem burros a zurrar desesperados. Tudo quentinho a olhar para os écrans e a ver como era a vida no início do século XXI.
E daqui a uns tempos ninguém vai perceber textos deste tipo (partindo do princípio que agora alguém os percebe). Serão textos cativos num tempo só acessível a historiadores e curiosos.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
A História
"O que tenho aprendido na História é que a capacidade do Homem para resolver os seus problemas é inimaginável e com soluções surpreendentes."
José Mattoso, Entrevista à revista Noesis, 1996
José Mattoso, Entrevista à revista Noesis, 1996
Domingo de manhã
Dormi toda a noite embalada pelo barulho da chuva torrencial.
Quando comecei a ter consciência de que estava a despertar e dos ruídos que anunciavam que o dia já estava crescidinho, ouvi, entre outros sons, o ritmo de um martelo sobre madeira e um gato a miar desesperado. E pensei: "Queres ver que, com tanta chuva, Deus mandou construir outra arca e o gato, que é um animal friorento, já está a tentar entrar, mesmo com a arca ainda a ser terminada?"
Afinal era um vizinho a consertar um alpendre e um gato preso na garagem do meu prédio, onde se tinha refugiado da chuva.
Quando comecei a ter consciência de que estava a despertar e dos ruídos que anunciavam que o dia já estava crescidinho, ouvi, entre outros sons, o ritmo de um martelo sobre madeira e um gato a miar desesperado. E pensei: "Queres ver que, com tanta chuva, Deus mandou construir outra arca e o gato, que é um animal friorento, já está a tentar entrar, mesmo com a arca ainda a ser terminada?"
Afinal era um vizinho a consertar um alpendre e um gato preso na garagem do meu prédio, onde se tinha refugiado da chuva.
sábado, 31 de janeiro de 2009
Paixão
Assim que nos encarámos eu soube! Não sei como é que soube, mas…senti em mim que tinha começado algo…que não era um sentimento só meu…que poderia acontecer…
A minha primeira reacção foi de medo. Estuguei o passo e afastei-me dele, sem nem sequer olhar para trás. Sentia-me perseguida e assustada mas nem sabia definir por quê.
Mas eu já vivi histórias assim! Nos dias seguintes a imagem do nosso encontro encheu-me o tempo e tirou-me a tranquilidade. Sabia que tinha de tomar uma decisão: esquecê-lo ou enfrentá-lo. Uma das duas; mas terminar aquele tormento, aquela situação sem futuro.
Duas semanas depois não havia mais retorno. Era o momento.
Ainda hesitei um pouco no início da rua, mas foi um momento pequeno, sem consequências. Avancei resolutamente na sua direcção: os dados estavam lançados!
Ele ainda lá estava. Discretamente, a um canto, mas eu juraria que ele se esticou quando me viu chegar. Quando nos encarámos de novo eu soube que tinha tomado a decisão certa e entrei na loja.
Nem sei se deveria descrever isto...de tão íntimo, mas…a sensação do tecido a roçar os meus pulsos, a gola a afagar-me o pescoço, o abraço selado pelos botões com ar imperial. Decididamente, tínhamos sido feitos um para o outro!
Agora desfilamos por aí exibindo o nosso amor. Ocasionalmente com mais alguns acessórios: o chapéu preto ou as luvas cinzentas, fruto de outra paixão ainda muito recente, mas pouco mais - que o meu novo amor não se mistura com qualquer coisa!
E a satisfação que eu tenho a imaginar as rugas, as pontas e os refegos que ele terá feito com outras que o experimentaram, que ousaram pensar em conquistá-lo…não, ele esperou por mim. Este casaco sabia que tinha de ser meu! Estou tão apaixonada, que quero anuncia-lo despudoradamente a quem quiser saber!
A minha primeira reacção foi de medo. Estuguei o passo e afastei-me dele, sem nem sequer olhar para trás. Sentia-me perseguida e assustada mas nem sabia definir por quê.
Mas eu já vivi histórias assim! Nos dias seguintes a imagem do nosso encontro encheu-me o tempo e tirou-me a tranquilidade. Sabia que tinha de tomar uma decisão: esquecê-lo ou enfrentá-lo. Uma das duas; mas terminar aquele tormento, aquela situação sem futuro.
Duas semanas depois não havia mais retorno. Era o momento.
Ainda hesitei um pouco no início da rua, mas foi um momento pequeno, sem consequências. Avancei resolutamente na sua direcção: os dados estavam lançados!
Ele ainda lá estava. Discretamente, a um canto, mas eu juraria que ele se esticou quando me viu chegar. Quando nos encarámos de novo eu soube que tinha tomado a decisão certa e entrei na loja.
Nem sei se deveria descrever isto...de tão íntimo, mas…a sensação do tecido a roçar os meus pulsos, a gola a afagar-me o pescoço, o abraço selado pelos botões com ar imperial. Decididamente, tínhamos sido feitos um para o outro!
Agora desfilamos por aí exibindo o nosso amor. Ocasionalmente com mais alguns acessórios: o chapéu preto ou as luvas cinzentas, fruto de outra paixão ainda muito recente, mas pouco mais - que o meu novo amor não se mistura com qualquer coisa!
E a satisfação que eu tenho a imaginar as rugas, as pontas e os refegos que ele terá feito com outras que o experimentaram, que ousaram pensar em conquistá-lo…não, ele esperou por mim. Este casaco sabia que tinha de ser meu! Estou tão apaixonada, que quero anuncia-lo despudoradamente a quem quiser saber!
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