Durante as pesquisas e leituras destes últimos tempos, tive, frequentemente de enfrentar textos noutras línguas. Com o recurso a amigos e dicionários (ou até dicionários amigos e «amigos dicionários») lá ia descodificando o que representava maior dificuldade. Em grande parte dos casos não era necessário uma tradução fidedigna, era apenas preciso compreender o sentido global. Nos casos em que era necessário citar havia um rigor diferente.
No meu livro de metodologia preferido para esta última empreitada (em francês, naturalmente) houve uma palavra que nunca foi completamente ultrapassada. Como não era necessário fazer citações daqueles trechos, fiquei-me pela compreensão em contexto de «verbatim», que se fixou no meu espírito como apontamento, ficha breve ou referência bibliográfica a um texto ou ideia.
Talvez eu tivesse esquecido a palavra se ela não se tivesse colocado à minha frente, na última semana, em duas situações diferentes: numa nova secção da revista Visão e numa marca de material informático (CDs e etc e tal).
Como gosto pouco de ficar na dúvida - embora possa encarar a hipótese de manter os outros na dúvida, recuperando um conselho da publicidade da Lux de outros tempos - lá iniciei uma nova busca. Nada nos dicionários em papel e online até uma busca mais vasta, que me levou ao Wikcionário.
Aí explica-se a origem latina da palavra - a mesma de timtim por timtim - e está a chegar à nossa língua através do inglês (médio) e significa literal. Pode ser usado como advérbio (literalmente ou textualmente), ou como substantivo (reprodução literal de um discurso). No inglês tem como sinónimo «in so many words» e «word for word»). Pode ainda significar um documento que reproduz literalmente um discurso.
Assim, no caso do livro de metodologia, significava as famosas «fichas de citação» que elaboro desde o meu 10ºano - por diligência do excelente professor de História que tive na altura - e desde o «cadeirão» de Teoria das Fontes e Metodologia do Saber Histórico, no 1º ano da Licenciatura.
Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
Mostrar mensagens com a etiqueta Publicidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Publicidade. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Área de Projectos
A primeira vez que 'dei Área de Projecto' (se é que aquilo se dá...) foi numa turma de 9ºano, com quem me dava muito bem há três anos e foi uma experiência muito interessante, porque eles faziam tudo sozinhos. Mas faziam mesmo!
Querem agora, cada vez mais, implementar coisas destas, mas esquecem-se que, para isso, é necessário que os alunos tenham preparação para a investigação e não que considerem pesquisa a impressão de uma folha da 'net', de onde nem apagaram o endereço.
Bem, afastemos as lamúrias, que hoje está de sol e as férias à porta!
Recordava-os agora eu, porque, como nessa experiência tinha o tempo da aula quase livre, dedicava-me a observar certos aspectos que me interessam na postura dos jovens, sobretudo aquilo em que são diferentes «do meu tempo» de juventude.
Como os garotos eram muito autónomos e muito competentes e delinearam interessantíssimos projectos de investigação, o mínimo que eu podia fazer, era assegurar-lhes um bom ambiente de trabalho. Como sei como para mim é importante a informalidade do ambiente - não consigo escrever num ambiente muito rígido - requisitava uma das poucas salas que tinha o formato que considero adequado à leccionação - em U - e deixava-os trabalhar por grupos, organizando-se da maneira que lhes desse mais jeito, com um ou dois portáteis por grupo.
Num desses dias, em que eles estavam muito, muito entusiasmados com as suas tarefas, lembro-me de ter olhado satisfeita para a sala e ter pensado: isto parece o anúncio da Kanguru!
É que sempre me tinha intrigado a relação livre e informal que as pessoas estabeleciam com o computador na publicidade da «Banda larga em qualquer lugar»: eles estavam sentados em escadas, no topo de armários, em posições que, para mim, seriam impensáveis no trato com uma coisa cara e frágil com um computador.
Nesse dia percebi que a publicidade estava certa: os meus meninos estavam sentados sobre as mesas, alguns de perna traçada, com o computador equilibrado sobre um joelho, por detrás desses estavam outros semi-deitados nas mesas a acompanhar o trabalho de digitação, e num dos cantos, estavam os meninos da música, com uma viola e um jambé, a comporem uma banda sonora já não me recordo bem para quê. (Talvez esteja aqui a ler isto um dos protagonistas dessa turma, embora com um trabalho de powerpoint mais sério e menos sonoro)*.
Vem tudo isto a propósito de eu ontem ter dado comigo a escrever no computador semi-recostada na cama e a emendar uns textos, só com a mão direita, sobretudo a colocar maiúsculas em certas palavras. Foi um momento muito saboroso da minha vida: recordei-me dos miúdos, percebi que a minha relação com os computadores está a mudar e recordei - de uma forma muito deliciosa - os meus tempos de aprendizagem de música: fazendo exercícios de carregar no 'Shift' e nas letras em simultâneo, recordei as dificuldades que tinha, no início da aprendizagem da música para poder tocar, de forma harmoniosa, nas teclas brancas e pretas. As correcções do texto tornaram-se assim momentos saborosos de retorno à infância e ao treino de trabalho de um outro teclado com a mão direita.
Um dia vou mesmo aprender piano, exercitando ambas as mãos num teclado que me traga também, felicidade.
Temos sempre tantos desejos para «um dia»! Foi isso que tornou a campanha dos pacotes de açúcar muito popular; uma espécie de «bolinhos da sorte» chineses. Eu leio sempre com muita atenção o que me calha no pacote de açúcar - Hoje de manhã dizia:"Um dia vais ser meu"...
*claro que rezava para que ninguém tivesse de ir à minha sala fazer qualquer coisa, pois sabia que nada disto seria bem visto na escola. E só o escrevo assim, descaradamente, porque estou protegida de Escrivaninha e o único ex-aluno que penso lerá isto, já passou, há muito tempo para a qualidade de amigo.
Querem agora, cada vez mais, implementar coisas destas, mas esquecem-se que, para isso, é necessário que os alunos tenham preparação para a investigação e não que considerem pesquisa a impressão de uma folha da 'net', de onde nem apagaram o endereço.
Bem, afastemos as lamúrias, que hoje está de sol e as férias à porta!
Recordava-os agora eu, porque, como nessa experiência tinha o tempo da aula quase livre, dedicava-me a observar certos aspectos que me interessam na postura dos jovens, sobretudo aquilo em que são diferentes «do meu tempo» de juventude.
Como os garotos eram muito autónomos e muito competentes e delinearam interessantíssimos projectos de investigação, o mínimo que eu podia fazer, era assegurar-lhes um bom ambiente de trabalho. Como sei como para mim é importante a informalidade do ambiente - não consigo escrever num ambiente muito rígido - requisitava uma das poucas salas que tinha o formato que considero adequado à leccionação - em U - e deixava-os trabalhar por grupos, organizando-se da maneira que lhes desse mais jeito, com um ou dois portáteis por grupo.
Num desses dias, em que eles estavam muito, muito entusiasmados com as suas tarefas, lembro-me de ter olhado satisfeita para a sala e ter pensado: isto parece o anúncio da Kanguru!
É que sempre me tinha intrigado a relação livre e informal que as pessoas estabeleciam com o computador na publicidade da «Banda larga em qualquer lugar»: eles estavam sentados em escadas, no topo de armários, em posições que, para mim, seriam impensáveis no trato com uma coisa cara e frágil com um computador.
Nesse dia percebi que a publicidade estava certa: os meus meninos estavam sentados sobre as mesas, alguns de perna traçada, com o computador equilibrado sobre um joelho, por detrás desses estavam outros semi-deitados nas mesas a acompanhar o trabalho de digitação, e num dos cantos, estavam os meninos da música, com uma viola e um jambé, a comporem uma banda sonora já não me recordo bem para quê. (Talvez esteja aqui a ler isto um dos protagonistas dessa turma, embora com um trabalho de powerpoint mais sério e menos sonoro)*.
Vem tudo isto a propósito de eu ontem ter dado comigo a escrever no computador semi-recostada na cama e a emendar uns textos, só com a mão direita, sobretudo a colocar maiúsculas em certas palavras. Foi um momento muito saboroso da minha vida: recordei-me dos miúdos, percebi que a minha relação com os computadores está a mudar e recordei - de uma forma muito deliciosa - os meus tempos de aprendizagem de música: fazendo exercícios de carregar no 'Shift' e nas letras em simultâneo, recordei as dificuldades que tinha, no início da aprendizagem da música para poder tocar, de forma harmoniosa, nas teclas brancas e pretas. As correcções do texto tornaram-se assim momentos saborosos de retorno à infância e ao treino de trabalho de um outro teclado com a mão direita.
Um dia vou mesmo aprender piano, exercitando ambas as mãos num teclado que me traga também, felicidade.
Temos sempre tantos desejos para «um dia»! Foi isso que tornou a campanha dos pacotes de açúcar muito popular; uma espécie de «bolinhos da sorte» chineses. Eu leio sempre com muita atenção o que me calha no pacote de açúcar - Hoje de manhã dizia:"Um dia vais ser meu"...
*claro que rezava para que ninguém tivesse de ir à minha sala fazer qualquer coisa, pois sabia que nada disto seria bem visto na escola. E só o escrevo assim, descaradamente, porque estou protegida de Escrivaninha e o único ex-aluno que penso lerá isto, já passou, há muito tempo para a qualidade de amigo.
Etiquetas:
I Wish,
Palavras Cativas,
Partículas de Felicidade,
Publicidade
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Companheiro
Na minha família sempre houve a mania de dar nomes aos carros. Ou, talvez seja só eu mesma que o faça...Não, o meu pai chamava «Boguinhas» ao carro. Lembro-me que um dia instalou lá um boneco muito giro, daqueles com uma cabeça que balança...creio que era cor de laranja e tinha um tufo de pelos brancos no peito. Estava no «tablier». O meu pai disse-me que ele se chamava Mikim e eu acrescentei Tremeliques, Peludinhas, evidenciando já a falta de economia em palavras.
O meu padrasto tinha uma carrinha de trabalho, que baptizei de «Bota Botilde», que só tinha dois lugares. Eu viajava em cima do motor - sem cinto, completamente «fora-da-lei» - e detestava quando ele parava a falar com alguém, deixando o carro ligado, pois o motor aquecia e o meu assento tornava-se insuportável.
Resisti muito a ser condutora, preferindo sempre mais ser conduzida que conduzir. Em transportes públicos, aproveitando o tempo para ler ou em carros particulares, comentando a paisagem e observando pormenores...Momentos gloriosos foram aqueles em que eu trabalhei num local que tinha motoristas para os chefes e, como me dava muito bem com um dos motoristas, às vezes ele dava-me boleia para almoçar ou sair do emprego e insistia sempre para que eu me sentasse lá atrás. «Faça de chefe, vá treinando. Eu já estou habituado a ser motorista.»
Bem, seja como for, a veracidade da frase (creio que do Eça) «O país é Lisboa e o resto é paisagem», obrigou-me, se queria ter a paz da província e a autonomia do feitio, a comprar um veículo. Não foi fácil a minha adaptação ao papel de condutora. (E, se calhar, a adaptação dos outros motoristas, ao meu papel de condutora, também não terá sido fácil!)
Não me consigo recordar dos nomes que dei - certamente dei - aos meus dois primeiros veículos, que tão torturados foram! Recordo-me que o primeiro tinha as letras de matrícula «AV», o que, inexplicavelmente (!), lhe valeu a designação de «Azelha ao Volante», colocada por um colega de trabalho da altura. O segundo tinha as letras «VC», o que não me inspirava para o nomear, até ter partilhado esta preocupação com um amigo «informático», que o apelidou de video-conferência. Mas, nunca me identifiquei muito com tal nome: as minhas conferências preferidas são presenciais, à roda de uma mesa de café, com um bom grupo de amigos. (Isto deve ser um pleonasmo, porque um mau grupo de amigos não chega a ser um grupo de amigos. Haverá «maus amigos»? Bem...fica p'ra próxima).
Tudo isto vinha a propósito da perfeita simbiose que tenho com o meu terceiro carro («Não há amor como o terceiro, nem luar como o de Janeiro!») que tem não uma, mas duas designações, que demonstram o meu amor incondicional por ele.
Sendo um Opel Corsa, baptizei-o logo de corsário, pirata arrebatador que me ofereceu o verdadeiro prazer de conduzir. Mas a ternura existente entre nós, em momentos bem complicados da minha vida, trouxeram-lhe a segunda designação: O meu corcel.
O meu corcel faz-me voar, em viagens necessárias, exteriores e interiores. O meu corcel que me garante uma viagem feliz, por montes e vales, planícies e costas, até onde eu encontro o momento perfeito. Às vezes no Sul, para «deslanchar» um texto difícil, outras vezes em S. Pedro de Moel, como no dia da escrita da Conclusão, em que tenho a certeza que ele aumentou as janelas para que eu pudesse escrever até ao fim, quase só com uma réstia de luz natural e sem olhar para o relógio, que está por cima do rádio - nesse dia emudecido - até ao ponto final, passava da hora do jantar.
Ele sabe os locais certos para despertar emoções, para despertar o choro catártico ou a reflexão profunda. Ele sabe as paisagens da minha alegria. Ele conhece os programas de rádio adequados ao meu estado de espírito. Ele não é muito aventureiro, para me garantir a segurança e só segue, sem qualquer temor, as setas castanhas que indicam sempre «um Portugal desconhecido, que espera por si».
Um dia vamos viajar mais longe, arriscar-nos no estrangeiro, pois tenho a certeza que ele também sabe línguas. Com ele, sinto-me o Trinitá e um dia arrisco riscar um fósforo na sola das botas para acender um cigarro ao canto da boca.
O meu corcel das viagens necessárias, sofridas, sorridas, sonhadas; o meu corsário das pilhagens de paisagens. O contador da kilometragem da minha vida, o confidente de todas as horas, o autor de tantas possibilidades...impossíveis, até.
Etiquetas:
Palavreado,
Partículas de Felicidade,
Publicidade
segunda-feira, 5 de julho de 2010
José Machado Pais
"A pós-linearidade de José Machado Pais
A crise é um momento de indecisão que apela à decisão. A indecisão é um paradigma emergente da sociedade e da economia contemporâneas. E a explicação de tão complexo labirinto, através da observação dos movimentos oscilatórios de um iôiô, colocou o professor José Machado Pais entre a elite dos pensadores do mundo contemporâneo."
Para ler mais é só continuar a página 137 do Portugal Genial (Carlos Coelho) que assim se inicia.
Para ler a mais recente obra deste Português Genial é dirigir-se a uma livraria e procurar a capa que aqui reproduzimos. É mesmo genial! Muito, muito bom! Recomendo em particular as doces reflexões sobre as frases escritas em pacotes de açúcar que andam, por aí, pela cidade e que, frequentemente não vemos na «lufa-lufa quotidiana» em que se instalou a lógica do «encontrão». Encontram isto e muito mais neste livro que -aqui armada em «opinion maker» - vos recomendo.
Uma boa leitura, para reflectirmos sobre a vida nas cidades, sobretudo se a lermos no campo ou na praia.
A crise é um momento de indecisão que apela à decisão. A indecisão é um paradigma emergente da sociedade e da economia contemporâneas. E a explicação de tão complexo labirinto, através da observação dos movimentos oscilatórios de um iôiô, colocou o professor José Machado Pais entre a elite dos pensadores do mundo contemporâneo."
Para ler mais é só continuar a página 137 do Portugal Genial (Carlos Coelho) que assim se inicia.
Para ler a mais recente obra deste Português Genial é dirigir-se a uma livraria e procurar a capa que aqui reproduzimos. É mesmo genial! Muito, muito bom! Recomendo em particular as doces reflexões sobre as frases escritas em pacotes de açúcar que andam, por aí, pela cidade e que, frequentemente não vemos na «lufa-lufa quotidiana» em que se instalou a lógica do «encontrão». Encontram isto e muito mais neste livro que -aqui armada em «opinion maker» - vos recomendo.
Uma boa leitura, para reflectirmos sobre a vida nas cidades, sobretudo se a lermos no campo ou na praia.
Etiquetas:
Palavras de Outros,
Partículas de Felicidade,
Publicidade
domingo, 4 de julho de 2010
Ouço Pedro Abrunhosa de Janeiro a Janeiro
O fascínio do álbum Luz, que me aqueceu o Inverno, prolonga-se em ritmos mais inquietos para o Verão, nas palavras e sons de Longe.
Para mim é um enigma: não simpatizo com Pedro Abrunhosa, não gosto de o ver ao vivo, não sinto qualquer empatia com a figura dele, mas...embalo-me nas palavras dele, como se fossem carícias de alguém muito, muito perto. Não sei como é possível...creio que é o único artista em relação a quem isto me acontece. Mas, que fazer? Cá estou a saborear a minha nova aquisição musical!
E...olhem lá, se estas palavras não parecem ter sido escritas por alguém maravilhoso:
"Vesti a luz do teu nome
E chamei-te pela noite
Entraste no meu sono
Como o luar entra na fonte
(...)
E quando vens pela bruma
Acendem-se estrelas no quarto
E dizes:
«Trago a luz das sereias
Trago o canto da tempestade
E como o vento na areia
Deitas-te em mim feita metade»
(...)" Pode o Céu ser tão Longe
"Conta-me uma história
De tesouros e luar
És Capitão da areia
E Pirata de Alto Mar
Conta-me uma história
Onde eu entre devagar
És Capitão da Areia
Diz-me onde me vais levar" Capitão da Areia
E quando comecei a comprar música dele, tive esperança de encontrar um outro autor das letras, alguém que eu pudesse imaginar...perfeito. Não! É ele mesmo. Debati-me, cogitei...e depois cedi, porque o amor tem destas coisas, que, frequentemente, não têm explicação...e eu amo as letras do homem. E as músicas...Gosto, pronto! E agora tenho música dele, para ouvir de Janeiro a Janeiro.
Para mim é um enigma: não simpatizo com Pedro Abrunhosa, não gosto de o ver ao vivo, não sinto qualquer empatia com a figura dele, mas...embalo-me nas palavras dele, como se fossem carícias de alguém muito, muito perto. Não sei como é possível...creio que é o único artista em relação a quem isto me acontece. Mas, que fazer? Cá estou a saborear a minha nova aquisição musical!
E...olhem lá, se estas palavras não parecem ter sido escritas por alguém maravilhoso:
"Vesti a luz do teu nome
E chamei-te pela noite
Entraste no meu sono
Como o luar entra na fonte
(...)
E quando vens pela bruma
Acendem-se estrelas no quarto
E dizes:
«Trago a luz das sereias
Trago o canto da tempestade
E como o vento na areia
Deitas-te em mim feita metade»
(...)" Pode o Céu ser tão Longe
"Conta-me uma história
De tesouros e luar
És Capitão da areia
E Pirata de Alto Mar
Conta-me uma história
Onde eu entre devagar
És Capitão da Areia
Diz-me onde me vais levar" Capitão da Areia
E quando comecei a comprar música dele, tive esperança de encontrar um outro autor das letras, alguém que eu pudesse imaginar...perfeito. Não! É ele mesmo. Debati-me, cogitei...e depois cedi, porque o amor tem destas coisas, que, frequentemente, não têm explicação...e eu amo as letras do homem. E as músicas...Gosto, pronto! E agora tenho música dele, para ouvir de Janeiro a Janeiro.
Etiquetas:
Palavras Cantadas,
Palavras de Outros,
Palavreado,
Publicidade
segunda-feira, 21 de junho de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
Viagem ao País do Verão
No País do Verão há comboios coloridos todo o ano. Carrosseis com cavalos presos por um pau: carrosseis dos filmes infantis de outrora.
Há gente enorme, com pele rosado-leitão a passear uns calções de banho que lembram as toalhas de pic-nic do início das fotografias a cores. Há muitos rapazes de sobrancelhas brancas - que eu sempre imagino com uma farda de colégio inglês - mas aqui estão com um ar condizente com a atmosfera.
Aqui, no país do Verão, as primeiras palavras de saudação são em inglês. Só depois de eu convencer o empregado que sou portuguesa, ele vira a ementa para a língua do país que habita.
Passam uns rapazes a jogar ruidosamente à bola, com ar de hooligans...
Há muita gente a passear à beira-mar. Há mulheres muito gordas de fato de banho preto, há mulheres que resolveram deixar de ser gordas e passeiam os seios murchos, dentro de uns bikinis pequenos que não as tornam elegantes: serão sempre mulheres que decidiram deixar de ser gordas. Há homens que parecem portugueses, porque os calções de banho são monocromáticos e, no meio dos pêlos do peito, brilham fios de ouro com medalhas de santos.
O mar está azul, mas ainda muito frio.
As pessoas passeiam com sandálias e soquetes brancos. (Acrescento-lhes mentalmente um chapéu de explorador africano).
Há também umas raras meninas a fazer, ao vivo, o anúncio da Kellogs. Mas são ainda, só, as mais afoitas. As outras estão em casa, a treinar os abdominais, para nos convencerem de que há Verão todo o ano.
Mas isso não interessa. Porque, a sul de Portugal, situa-se o país do Verão, onde todos passeiam como são e alguns até têm orgulho de alimentar as redondas barrigas com tardes de cervejas loiras e espumosas, servidas numas canecas, que povoam o meu imaginário germânico.
No País do Verão tudo parece inventado; todas as imagens se ligam às de um filme qualquer ou a estereotipos sobre estrangeiros.
O País do Verão parece-se com a cantiga da rua, "que sobe e flutua e não se detém, nem minha nem tua, é de toda a gente, não é de ninguém."
Há gente enorme, com pele rosado-leitão a passear uns calções de banho que lembram as toalhas de pic-nic do início das fotografias a cores. Há muitos rapazes de sobrancelhas brancas - que eu sempre imagino com uma farda de colégio inglês - mas aqui estão com um ar condizente com a atmosfera.
Aqui, no país do Verão, as primeiras palavras de saudação são em inglês. Só depois de eu convencer o empregado que sou portuguesa, ele vira a ementa para a língua do país que habita.
Passam uns rapazes a jogar ruidosamente à bola, com ar de hooligans...
Há muita gente a passear à beira-mar. Há mulheres muito gordas de fato de banho preto, há mulheres que resolveram deixar de ser gordas e passeiam os seios murchos, dentro de uns bikinis pequenos que não as tornam elegantes: serão sempre mulheres que decidiram deixar de ser gordas. Há homens que parecem portugueses, porque os calções de banho são monocromáticos e, no meio dos pêlos do peito, brilham fios de ouro com medalhas de santos.
O mar está azul, mas ainda muito frio.
As pessoas passeiam com sandálias e soquetes brancos. (Acrescento-lhes mentalmente um chapéu de explorador africano).
Há também umas raras meninas a fazer, ao vivo, o anúncio da Kellogs. Mas são ainda, só, as mais afoitas. As outras estão em casa, a treinar os abdominais, para nos convencerem de que há Verão todo o ano.
Mas isso não interessa. Porque, a sul de Portugal, situa-se o país do Verão, onde todos passeiam como são e alguns até têm orgulho de alimentar as redondas barrigas com tardes de cervejas loiras e espumosas, servidas numas canecas, que povoam o meu imaginário germânico.
No País do Verão tudo parece inventado; todas as imagens se ligam às de um filme qualquer ou a estereotipos sobre estrangeiros.
O País do Verão parece-se com a cantiga da rua, "que sobe e flutua e não se detém, nem minha nem tua, é de toda a gente, não é de ninguém."
Etiquetas:
Palavras Cantadas,
Palavras Forasteiras,
Palavreado,
Publicidade
sexta-feira, 21 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
Ler: «Tão natural como a minha sede»
Não me lembro de como aprendi a ler.
Lembro-me de querer aprender a ler e lembro-me de ler, mas não do processo de passagem de um ponto ao outro.
Há uns anos, quando acompanhei o processo de uma criança aprender a ler, compreendi como para ele era difícil, penoso, por etapas...um sacrifício. Foi aí que eu tentei lembrar-me desse caminho e...não me lembro.
Parece que não deve ter sido difícil, deve ter sido algo natural, fácil, agradável (lúdico, dir-se-ia agora). Quase como se eu já soubesse e não soubesse que sabia. Um processo quase socrático - Meu Deus! Esta expressão agora adquiriu outras conotações... - que já me tem acontecido noutras situações. Será que é verdade? Que nós temos os conhecimentos dentro de nós? Que já nascemos com uma quantidade de potencialidades e que o crescimento não faz mais do que desenvolvê-las? Não estou a falar do destino e da predestinação. Ou estou?...Não, é mais predisposição.
Pensando no meu caso eu nunca tive nenhum interesse pelos números e pelas ciências e sempre fui «toda virada para as letras».
Às vezes ponho-me a pensar no que seria a minha vida se eu não soubesse ler...E sinto um arrepio. E uma imensa solidariedade com todas as mulheres que viveram antes de mim e que viram vedado «o mundo das letras» à sua condição feminina.
Não me lembro de aprender a ler. É uma coisa tão natural ou tão antiga em mim que não o recordo, como o primeiro choro ao nascer, o primeiro banho, a primeira papa. Tudo tem uma aprendizagem e eu devo ter aprendido a ler. Claro que eu aprendi a ler. Mas não me deve ter custado nada.
Lembro-me de querer aprender a ler e lembro-me de ler, mas não do processo de passagem de um ponto ao outro.
Há uns anos, quando acompanhei o processo de uma criança aprender a ler, compreendi como para ele era difícil, penoso, por etapas...um sacrifício. Foi aí que eu tentei lembrar-me desse caminho e...não me lembro.
Parece que não deve ter sido difícil, deve ter sido algo natural, fácil, agradável (lúdico, dir-se-ia agora). Quase como se eu já soubesse e não soubesse que sabia. Um processo quase socrático - Meu Deus! Esta expressão agora adquiriu outras conotações... - que já me tem acontecido noutras situações. Será que é verdade? Que nós temos os conhecimentos dentro de nós? Que já nascemos com uma quantidade de potencialidades e que o crescimento não faz mais do que desenvolvê-las? Não estou a falar do destino e da predestinação. Ou estou?...Não, é mais predisposição.
Pensando no meu caso eu nunca tive nenhum interesse pelos números e pelas ciências e sempre fui «toda virada para as letras».
Às vezes ponho-me a pensar no que seria a minha vida se eu não soubesse ler...E sinto um arrepio. E uma imensa solidariedade com todas as mulheres que viveram antes de mim e que viram vedado «o mundo das letras» à sua condição feminina.
Não me lembro de aprender a ler. É uma coisa tão natural ou tão antiga em mim que não o recordo, como o primeiro choro ao nascer, o primeiro banho, a primeira papa. Tudo tem uma aprendizagem e eu devo ter aprendido a ler. Claro que eu aprendi a ler. Mas não me deve ter custado nada.
Etiquetas:
Palavras Cativas,
Partículas de Felicidade,
Publicidade
quarta-feira, 14 de abril de 2010
A propósito de Portugalidade
(dedicado aos amigos que, no sábado,conversaram comigo sobre este anúncio)
Afinal no Youtube encontra-se tudo!
Etiquetas:
Palavras de Outros,
Partículas de Felicidade,
Publicidade
domingo, 11 de abril de 2010
sábado, 3 de abril de 2010
Páscoa, para que te quero!
Encher o comedouro das gatas de comida e água, muita água.
Gravar os últimos trabalhos no CD, que os azares acontecem...
Virar as costas à secretária, colocar o saco de fim de semana ao ombro e Páscoa para que te quero? Fazer uma pausa, sem Kit Kat.
Boa Páscoa a quem por aqui passa, anónimo ou com identificação, deixando rasto ou não. O programa segue dentro de momentos; espero.
Gravar os últimos trabalhos no CD, que os azares acontecem...
Virar as costas à secretária, colocar o saco de fim de semana ao ombro e Páscoa para que te quero? Fazer uma pausa, sem Kit Kat.
Boa Páscoa a quem por aqui passa, anónimo ou com identificação, deixando rasto ou não. O programa segue dentro de momentos; espero.
Etiquetas:
Palavras repetentes,
Partículas de Felicidade,
Publicidade
terça-feira, 23 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Dia Internacional da Mulher
"Sente-se bela e acham-na mais bela"
"Se eu não gostar de mim, quem gostará?"
"Gosto de ser mulher!"
"Se eu não gostar de mim, quem gostará?"
"Gosto de ser mulher!"
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
RTPM
Cheguei a casa cansada, mas precisava, antes de cair - literalmente - no sofá, de imprimir algumas coisas para as aulas de amanhã de manhã.
Liguei a televisão na RTP1, eram cerca de 20 h, sempre ouviria as notícias.
Haiti, acidente na A4, imagens chocantes...aviso aos telespectadores e «cá vai disto» imagens para toda a família ficar chocada e irmos todos criando uma resistência - que se reveste de indiferença - ao horror, à morte, à dor...(quase invocava o Albarrâ, agora...)
Sei que só estou a ouvir isto tudo porque a estante me separa do acesso à televisão, me impede olhar as imagens e o cabo da impressora me retém deste lado...sem energia para, sequer, ir desligar o aparelho.
A determinada altura os meus sentidos bloqueiam a percepção àquilo tudo e, só passado algum tempo, volto a tomar atenção: desta vez é uma reportagem sobre «o pequeno Saúl», que se «notabilizara» por cantar, em versão infantil, as ordinarices de Quim Barreiros, outro notável da Nação. A pobre criança foi afinal explorada pela família que o deixou na penúria (14 € na conta!) e ele lá continua, com um ar ordinareco mas honesto, a cantar as suas brejeirices que vão encantando plateias. Filmado junto das peixeiras da Fiqueira da Foz, ficou atestado no serviço noticioso, que era um rapaz trabalhador e merecedor de apreço.
Quase logo a seguir surge uma «reportagem profunda» sobre o terço que Cristiano Ronaldo usa sempre ao pescoço. E que é feito de plástico! Um modesto terço, feito numa fabriqueta familiar dos arredores de Fátima. Lá estavam todas as produtoras de terços, orgulhosas, fiéis e empreendedoras: estão até a pensar em começar a comercializar a Nossa Senhora com cores mais modernas...azul forte, cor-de-rosa...
Chega! Levanto-me da cadeira e vou verificar que não estava numa emissão da RTPMemória, mas sim da RTPMesmo.
Fátima, Futebol e Música Pimba: a «nova trilogia»? Conta-me como foi e já não é, por favor!
Liguei a televisão na RTP1, eram cerca de 20 h, sempre ouviria as notícias.
Haiti, acidente na A4, imagens chocantes...aviso aos telespectadores e «cá vai disto» imagens para toda a família ficar chocada e irmos todos criando uma resistência - que se reveste de indiferença - ao horror, à morte, à dor...(quase invocava o Albarrâ, agora...)
Sei que só estou a ouvir isto tudo porque a estante me separa do acesso à televisão, me impede olhar as imagens e o cabo da impressora me retém deste lado...sem energia para, sequer, ir desligar o aparelho.
A determinada altura os meus sentidos bloqueiam a percepção àquilo tudo e, só passado algum tempo, volto a tomar atenção: desta vez é uma reportagem sobre «o pequeno Saúl», que se «notabilizara» por cantar, em versão infantil, as ordinarices de Quim Barreiros, outro notável da Nação. A pobre criança foi afinal explorada pela família que o deixou na penúria (14 € na conta!) e ele lá continua, com um ar ordinareco mas honesto, a cantar as suas brejeirices que vão encantando plateias. Filmado junto das peixeiras da Fiqueira da Foz, ficou atestado no serviço noticioso, que era um rapaz trabalhador e merecedor de apreço.
Quase logo a seguir surge uma «reportagem profunda» sobre o terço que Cristiano Ronaldo usa sempre ao pescoço. E que é feito de plástico! Um modesto terço, feito numa fabriqueta familiar dos arredores de Fátima. Lá estavam todas as produtoras de terços, orgulhosas, fiéis e empreendedoras: estão até a pensar em começar a comercializar a Nossa Senhora com cores mais modernas...azul forte, cor-de-rosa...
Chega! Levanto-me da cadeira e vou verificar que não estava numa emissão da RTPMemória, mas sim da RTPMesmo.
Fátima, Futebol e Música Pimba: a «nova trilogia»? Conta-me como foi e já não é, por favor!
Etiquetas:
I Wish,
Palavras Doridas,
Palavras repetentes,
Publicidade
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
domingo, 6 de dezembro de 2009
Presépio de Lisboa
Ouvi há pouco na rádio que um grupo de leigos (que eu nunca percebo muito bem o que quer dizer quando se fala de iniciativas da Igreja Católica) resolveu realizar um conjunto de iniciativas relacionadas com o Presépio, para restaurar o verdadeiro espírito de Natal que tem estado muito ausente por aí. Falava-se sobretudo na figura do Menino Jesus e na simbologia das celebrações.
E eu acho muito bem!
Eu não sou fundamentalista, mas, convenhamos, pouco do que se vê por aí tem a ver com o «espírito do Natal».
É uma desbunda completa com a figura do Pai Natal, que aparece de férias, a lançar anões...de fato de banho...a rena alentejana...
Enfim!
E a lingerie com motivos natalícios?
Pronto, eu não sou fundamentalista, mas um bocadinho de contenção numa celebração que deveria estar associada a um presépio, a valores morais religiosos...se calhar, estamos a precisar que alguém diga por onde é que isto começou, porque onde é que isto vai acabar...é impossível de prever.
(já pareço aquele presidente de câmara algarvio, que não deixava que houvesse um serviço de massagens na praia, porque "todos sabemos como uma massagem começa, mas não podemos saber como é que ela vai acabar")
Citando a imortal figura do Diácono Remédios, em relação a muito do que se vê pelas montras e outras publicidades associadas ao Natal: «Não havia necessidade...»
E eu acho muito bem!
Eu não sou fundamentalista, mas, convenhamos, pouco do que se vê por aí tem a ver com o «espírito do Natal».
É uma desbunda completa com a figura do Pai Natal, que aparece de férias, a lançar anões...de fato de banho...a rena alentejana...
Enfim!
E a lingerie com motivos natalícios?
Pronto, eu não sou fundamentalista, mas um bocadinho de contenção numa celebração que deveria estar associada a um presépio, a valores morais religiosos...se calhar, estamos a precisar que alguém diga por onde é que isto começou, porque onde é que isto vai acabar...é impossível de prever.
(já pareço aquele presidente de câmara algarvio, que não deixava que houvesse um serviço de massagens na praia, porque "todos sabemos como uma massagem começa, mas não podemos saber como é que ela vai acabar")
Citando a imortal figura do Diácono Remédios, em relação a muito do que se vê pelas montras e outras publicidades associadas ao Natal: «Não havia necessidade...»
Etiquetas:
Palavras à Medida,
Palavras vãs,
Palavreado,
Publicidade,
Tradições
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Precisa de um serviço que não falha?...
ao CENTRO NOVAS OPORTUNIDADES da respectiva área de residência
e adquirir novas competências.
Saiba como terminar este feitiço!
(Créditos fotográficos: A foto foi tirada pela P.P., as perninhas são da M. O uso da foto foi devidamente autorizado por todos, menos pelo sapo, que já não consegui encontrar, talvez porque tenha sido engolido num dos últimos actos eleitorais...)
Etiquetas:
Impressões de Viagem,
Palavreado,
Publicidade
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Wegue! Wegue!
http://www.youtube.com/watch?v=ZgyLfBMOoEQ
Eh, pá! Pois será publicidade ao Modelo, será...será apelo ao consumismo, sei lá...mas numa época em que os ícones da moda «enformam as criancinhas» com flausinas como a Barbie...é tão refrescante ver a Popota.
Viva a Popota!
(mesmo que seja um estratagema para as menos «Barbies» desenbolsarem a massa nos brinquedos, encantadas com a hipopótama sexy). Assumo perfeitamente esse papel.
Eh, pá! Pois será publicidade ao Modelo, será...será apelo ao consumismo, sei lá...mas numa época em que os ícones da moda «enformam as criancinhas» com flausinas como a Barbie...é tão refrescante ver a Popota.
Viva a Popota!
(mesmo que seja um estratagema para as menos «Barbies» desenbolsarem a massa nos brinquedos, encantadas com a hipopótama sexy). Assumo perfeitamente esse papel.
Etiquetas:
Partículas de Felicidade,
Publicidade
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Mensagem da Popota para o Tony Carreira
Subscrever:
Mensagens (Atom)


