Será que as palavras ficam presas no tempo? Terão as palavras alguma coisa a ver com a moda, efémera e volátil? Evocações do passado também poderão ser palavras que, outrora, marcaram tanto o nosso quotidiano como o som do chiar do baloiço, o pregão da “língua da sogra” na praia ou o cheiro do cozido à portuguesa ao domingo?... Procurar e (re)contextualizar palavras, embalarmo-nos nelas, divagar sobre elas, são alguns dos objectivos deste projecto. Por puro prazer!
Mostrar mensagens com a etiqueta Inovações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Inovações. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Abandono: "Palavra-Despertador"
Ver também 'post' de 31 de Agosto de 2009: "Eu estava lá!"
Etiquetas:
Inovações,
Palavras repetentes,
Vídeos
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Valentinias
No meu tempo de Menina e Moça o mês do coração era Maio e o Santo Padroeiro da festa era o Dr. Fernando Pádua.
Depois chegou a «junk food» e a televisão por cabo a Portugal e os portugueses começaram a ficar obesos e aumentou o número de ataques cardíacos.
Então anteciparam o mês do coração para Fevereiro e chamaram um Padroeiro estrangeiro.
Hoje existem enormes corações em quase todos os espaços públicos e amanhã celebrar-se-á o combate: S. Valentim, exibindo valentia, derrotará, de sobre o seu cavalo, o dragão colesterol mau.
Depois, descerá do céu, num trapézio, uma menina linda, quase angelical e coroará o Santo Vencedor com um colar de flores ao estilo Haiti.
A população aplaudirá em êxtase.
O cavalo preencherá os papeis para a reforma antecipada e viverá feliz para sempre.
A maior parte da população assistirá ao combate pela televisão em 3D, enquanto come uma maçã do amor caramelizada, como manda a tradição.
Depois chegou a «junk food» e a televisão por cabo a Portugal e os portugueses começaram a ficar obesos e aumentou o número de ataques cardíacos.
Então anteciparam o mês do coração para Fevereiro e chamaram um Padroeiro estrangeiro.
Hoje existem enormes corações em quase todos os espaços públicos e amanhã celebrar-se-á o combate: S. Valentim, exibindo valentia, derrotará, de sobre o seu cavalo, o dragão colesterol mau.
Depois, descerá do céu, num trapézio, uma menina linda, quase angelical e coroará o Santo Vencedor com um colar de flores ao estilo Haiti.
A população aplaudirá em êxtase.
O cavalo preencherá os papeis para a reforma antecipada e viverá feliz para sempre.
A maior parte da população assistirá ao combate pela televisão em 3D, enquanto come uma maçã do amor caramelizada, como manda a tradição.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Comodidade na Informação
Cheguei a casa estafadinha do combate para explicar áquele 7º ano que eu sou a professora, que não podem falar todos ao mesmo tempo e que, se não pedirem para se levantar, mesmo que tenham razão e urgência em afiar o lápis ou deitar o lenço no lixo, teremos de colocar semáforos na recinto da aula.
Atirei-me para o sofá e comecei a zapar com pouco interesse. Não me apetecia ver séries, nem filmes, muito menos noticiários...até que topei com uma das excelentes entrevistas que o José Rodrigues dos Santos anda a fazer a escritores.
Gostei da conversa, mas não sabia quem era o autor. Fiquei por ali, até que referem o Coleccionador de Ossos. Eu gostei muito do filme e da ideia, mas não sabia quem era o criador da personagem.
Tinha ligado «automaticamene» a Internet e socorri-me do ciberespaço para perguntar quem era o autor que eu estava a ouvir falar. E lá estava - assim, instantaneamente - Jeffery Deaves.
Que cómodo poder encontrar assim a informação que complementa a aquisição de outra informação!
Atirei-me para o sofá e comecei a zapar com pouco interesse. Não me apetecia ver séries, nem filmes, muito menos noticiários...até que topei com uma das excelentes entrevistas que o José Rodrigues dos Santos anda a fazer a escritores.
Gostei da conversa, mas não sabia quem era o autor. Fiquei por ali, até que referem o Coleccionador de Ossos. Eu gostei muito do filme e da ideia, mas não sabia quem era o criador da personagem.
Tinha ligado «automaticamene» a Internet e socorri-me do ciberespaço para perguntar quem era o autor que eu estava a ouvir falar. E lá estava - assim, instantaneamente - Jeffery Deaves.
Que cómodo poder encontrar assim a informação que complementa a aquisição de outra informação!
Etiquetas:
Inovações,
Partículas de Felicidade
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
As Palavras e o Metro
Estou na Capital por dever de ofício.
E acho tudo muito estranho!
Talvez porque seja mesmo estranho ou talvez porque estranho estranhar, uma vez que aqui fui criada e foi já mulher que me acomodei num cantinho de Portugal, a que gosto de chamar meu.
Aí, no remanso de dias mais vagarosos, acho graça à única "hora de ponta" do dia. E mesmo essa, costumo contempla-la da grande janela do meu café preferido, para depois, já de noite, descer a rua vagarosamente até ao meu ninho.
Mas não foi para descrever o sossego de que sinto a falta que aqui me sentei. Pelo contrário: foi para registar o aumento da circulação de palavras no metropolitano de Lisboa!
Que há muitos "outdors" já sabíamos, que há uma televisão com notícias específicas no Metro já foi estranheza ultrapassada, mas, aquilo que senti hoje ainda não me tinha apercebido.
Munida de uma revista para passar o tempo da viagem - como fazia antigamente, evitando olhar os rostos entorpecidos e desgastados que me acompanhavam nas viagens - fui alertada/incomodada pelo chinfrim que reinava na carruagem. Não me apercebi logo do fenómeno. Fiquei a olhar as pessoas, que conversavam, riam ou mexiam freneticamente os dedos. Fixei-os melhor. Cada um falava...sozinho...ou melhor, com o seu aparelho. Apurei o ouvido:
"- Então? Pois só agora te pude ligar..."
"- Podias ir buscar os miúdos? É que eu assim ainda passava no supermercado..."
"- Não. E o gajo queria dar-me uma má nota. Tive de repetir..."
"- Estou muito cansado. Foi um dia horrível. Talvez amanhã..."
Outros teclavam freneticamente e sorriam para os aparelhos.
Atónita, compreendi porque perdera o sossego para ler.
Atentei então em alguns que liam, imunes àquele bruáa ensurdecedor. Depois reparei que lhes pendiam das orelhas uns fios pretos ou brancos que lhes asseguravam a imunidade e a calma.
Fiquei a reflectir sobre tudo isto: ganhou-se em expressões faciais e animação (as pessoas eram tão feias e desgastadas ao fim do dia no metro...); ganhou-se certamente em circulação de palavras, mas para mim perdeu-se um tempo de sossego, de reflexão, de leitura. E não deixa de ser estranho ver toda a gente à nossa volta a conversar, sem interagirem uns com os outros.
Talvez compre uns "phones"...talvez comece a ouvir as conversas dos outros...talvez seja melhor não, pois vem-me muito à memória "uma frase batida": Quem muito fala pouco acerta! E eles agora falam muito!...
E acho tudo muito estranho!
Talvez porque seja mesmo estranho ou talvez porque estranho estranhar, uma vez que aqui fui criada e foi já mulher que me acomodei num cantinho de Portugal, a que gosto de chamar meu.
Aí, no remanso de dias mais vagarosos, acho graça à única "hora de ponta" do dia. E mesmo essa, costumo contempla-la da grande janela do meu café preferido, para depois, já de noite, descer a rua vagarosamente até ao meu ninho.
Mas não foi para descrever o sossego de que sinto a falta que aqui me sentei. Pelo contrário: foi para registar o aumento da circulação de palavras no metropolitano de Lisboa!
Que há muitos "outdors" já sabíamos, que há uma televisão com notícias específicas no Metro já foi estranheza ultrapassada, mas, aquilo que senti hoje ainda não me tinha apercebido.
Munida de uma revista para passar o tempo da viagem - como fazia antigamente, evitando olhar os rostos entorpecidos e desgastados que me acompanhavam nas viagens - fui alertada/incomodada pelo chinfrim que reinava na carruagem. Não me apercebi logo do fenómeno. Fiquei a olhar as pessoas, que conversavam, riam ou mexiam freneticamente os dedos. Fixei-os melhor. Cada um falava...sozinho...ou melhor, com o seu aparelho. Apurei o ouvido:
"- Então? Pois só agora te pude ligar..."
"- Podias ir buscar os miúdos? É que eu assim ainda passava no supermercado..."
"- Não. E o gajo queria dar-me uma má nota. Tive de repetir..."
"- Estou muito cansado. Foi um dia horrível. Talvez amanhã..."
Outros teclavam freneticamente e sorriam para os aparelhos.
Atónita, compreendi porque perdera o sossego para ler.
Atentei então em alguns que liam, imunes àquele bruáa ensurdecedor. Depois reparei que lhes pendiam das orelhas uns fios pretos ou brancos que lhes asseguravam a imunidade e a calma.
Fiquei a reflectir sobre tudo isto: ganhou-se em expressões faciais e animação (as pessoas eram tão feias e desgastadas ao fim do dia no metro...); ganhou-se certamente em circulação de palavras, mas para mim perdeu-se um tempo de sossego, de reflexão, de leitura. E não deixa de ser estranho ver toda a gente à nossa volta a conversar, sem interagirem uns com os outros.
Talvez compre uns "phones"...talvez comece a ouvir as conversas dos outros...talvez seja melhor não, pois vem-me muito à memória "uma frase batida": Quem muito fala pouco acerta! E eles agora falam muito!...
Subscrever:
Mensagens (Atom)